O segredo do sucesso era investir em bons roteiros

Companhia também fez filmes em parceria com estúdios internacionais e alternava projetos autorais e populares

O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2014 | 04h27

Quando se fala de grandes estúdios de cinema, é quase automático se lembrar dos hollywoodianos, mas são raros os que se lembram que a Titanus não só produziu filmes 'em casa' como se associou a grandes produtoras europeias e americanas. Com a francesa Pathé, coproduziu Sodoma e Gomorra (1962), de Robert Aldrich; com a americana MGM, realizou diversos longas, com destaque para o sucesso de público: 4 Dias de Rebelião, de Nanni Loy, em 1962.

Seja internacionalmente ou na Itália, a casa de produção napolitana, que se mudou nos anos 20, conquistou o status que poucos estúdios foram capazes de alcançar ao longo da história. Mesmo quando se tratava de um filme cuja marca de seu diretor vinha em primeiro plano, como Fellini, Antonioni, Visconti, suas produções eram sempre 'um filme da Titanus' e isso era o bastante para levar milhares aos cinemas.

Hoje, seu legado, hibernado por algumas décadas e quase desconhecido dos mais jovens, ganha novo frescor com retrospectivas, publicações e documentários. Giuseppe Tornatore, por exemplo, que antes de Cinema Paradiso realizou seus primeiros filmes pela Titanus, dirigiu O Último Leopardo: Retrato de Goffredo Lombardo, em 2010.

"Ele foi uma figura única, um produtor que foi um homem para todos os tipos de cinema, do mudo à era dos filmes feitos só para a TV", declarou o diretor. "Ele, assim como o pai (Gustavo), pioneiro do cinema mudo italiano, amou o cinema. O que ele ganhou com o cinema investiu no próprio cinema. Quando fazia sucesso, investia. Quando entrou em crise, não mudou de ramo, mas continuou com os filmes. Juntos, os Lombardi atravessaram a história do próprio cinema", concluiu o diretor.

Um dos grandes trunfos da Titanus sempre foi investir em um cinema que, além da qualidade artística, trazia roteiros capazes de emocionar o espectador comum e também especialistas. "Meu pai sempre disse que, de tudo que se faz, o fundamental é a história. O roteiro é a base de qualquer arte. E depois a emoção que as pessoas sente quando a veem", declarou Guido Lombardo, hoje diretor da empresa. "Isso vale para as grandes histórias populares que provocam lágrimas, passando pelos filmes de arte que meu pai produziu, como O Leopardo e Rocco e Seus Irmãos, aos filmes de Dario Argento, que estreou na direção com um filme produzido por nós: O Passado das Plumas de Cristal", disse Guido.

De fato, em Locarno, as sessões dos clássicos da Titanus estavam sempre lotadas. "Mesmo os jovens se emocionam com os velhos filmes que fizemos. Isso porque os sentimentos são sempre os mesmos, as histórias de amor são universais. Os remakes das histórias clássicas são os que mais tocam o público. O modo de fazer negócio é emocionar o público e os sentimentos que eles têm dentro de si." / F.G.

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