O rock sem glamour de Gus Van Sant em Últimos Dias

Recém-lançado em DVD no País, Últimos Dias, de Gus Van Sant, com Michael Pitt (o irmão de Brad), reconstitui de forma ficcional os últimos dias de Kurt Cobain. O filme concorreu em Cannes, há dois anos. Chegou com pinta de campeão. Não ganhou nada. No Brasil, passou em mostras. Não teve lançamento comercial.Últimos Dias, às 19h45 no Cinemax, desenvolve uma narrativa elíptica. Passa-se quase todo numa casa cercada pela floresta. O diretor faz largo uso da improvisação dos atores. Michael Pitt foi tão fundo no personagem que criou as músicas que canta. A cultuada Asia Argento, filha de Dario, faz pouco mais do que uma ponta. Van Sant tira do rock todo o glamour e radicaliza o mito romântico da autodestruição.Seu roqueiro chama-se Blake. Vive uma solidão pavorosa. Parece um maltrapilho. Em Elefante, debruçando-se sobre o mesmo episódio que inspirou Tiros em Columbine, de Michael Moore, Gus Van Sant perguntou-se por que aqueles adolescentes provocaram o banho de sangue? Aqui a pergunta é como? Como foram os últimos dias de Cobain, já que não existem registros confiáveis. A explicação para o suicídio é que Blake/Cobain, como os jovens de Elefante, não vêem perspectivas. Os mais violentos matam. Os sensíveis, matam-se.

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