O rock embala amor e fúria em solo carioca

Hedwig e o Centímetro Enfurecido estreia dia 17

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2010 | 00h00

"Hello, Rio de Janeiro! Vocês sabem quem eu sou?", pergunta a transexual de peruca loura à la Farah Fawcett à plateia do teatro Glaucio Gill, em Copacabana. É mais um ensaio musical do espetáculo Hedwig e o Centímetro Enfurecido, sucesso Off-Broadway de John Cameron Mitchell que chegou ao cinema em 2001, e que o cantor-ator carioca Evandro Mesquita adaptou e dirige.

É a primeira montagem no Brasil da peça, lançada em 1998 e remontada mundo afora desde então. A estreia é dia 17, no Teatro das Artes, na Gávea, mas a produção mantém ensaios abertos desde 12 de agosto. Hoje é a última chance antes de a temporada começar.

No palco, Pierre Baitelli (de O Despertar da Primavera, O Diário de Anne Frank e da minissérie Capitu) encarna a Hedwig loura de cabelão, enquanto Paulo Vilhena, em sua estreia em musicais, faz sua faceta ruiva de madeixas mais curtas.

Quem faz as honras da casa é o diretor, que explica, à sua maneira, a trama louca que tem como protagonista a transexual de Berlim Oriental. "Ela vai se operar e surge um problema", diz Evandro, referindo-se ao tal "centímetro enfurecido", que nada mais é do que um "cotoco que se mexe" remanescente de uma malsucedida cirurgia de mudança de sexo.

Depois de "passar por várias roubadas", ele continua, Hedwig (nascido Hansel) se apaixona por um jovem que rouba suas músicas, e graças a elas vira um astro, "um Ricky Martin". Hedwig passa então a seguir o rapaz (seu nome é Tommy Speck) obsessivamente, apresentando-se em lugares decadentes próximos aos estádios onde ele canta.

São as músicas desses shows, pontos altos da peça, que estão sendo apresentadas no Glaucio Gill. A noite é puro rock" n" roll - a banda que acompanha Hedwig tem uma vocalista, Yitzhak, interpretada pela cantora, atriz e apresentadora (da TV Globinho) Eline Porto (outra do elenco de Despertar), que na peça também se traveste (de homem). E tem bateria (Alexandre Griva), guitarra (Pedro Nogueira), teclado (Fabrizio Iorio) e baixo (Patrick Laplan).

Pierre, fã de jazz e bossa nova, teve de se adaptar ao universo rocker. "Ouvia as músicas e na terceira estava com dor de cabeça, por causa da barulheira. Pensei: "Não gosto de rock, não vou conseguir". Mas foi se tornando orgânico", diz o ator, que dá show cantando e requebrando sobre um salto bem alto. Paulo Vilhena teve de sair da zona de conforto. "O mais importante é me sentir à vontade com microfone, salto e peruca, para colocar a dramaturgia por cima." Os dois estão irreconhecíveis, sob muitas camadas de maquiagem (que, com a peça em cartaz, terão de aprender a reproduzir sozinhos) e com roupas sensuais.

As letras originais são de Stephen Trask, premiado pela peça com um Obie, específico para os espetáculos Off-Broadway, e indicado para o Grammy pela trilha do filme. Vertidas por Jonas Calmon Klabin, elas são projetadas na parede do teatro, um convite para os espectadores cantarem. E eles cantam.

HEDWIG E O CENTÍMETRO ENFURECIDO

Teatro Glaucio Gill. Praça Cardeal Arcoverde s/nº - Copacabana, tel. (21) 2332-7904. R$ 30.

Hoje, último ensaio aberto, às 21 h. Estreia em 17/9.

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