O Rio visto pelos fotógrafos do início do século

No fim do século 19, uma horda de artistas estrangeiros desembarcou no Brasil ansiosa por conhecer o novo mundo. Depararam-se com paisagens inimagináveis. Mas poucas foram tão reproduzidas como as que compõem a magistral geografia do Rio. Com o passar do tempo, a atração exercida pela paisagem carioca não arrefeceu, muito pelo contrário. No limiar da fotografia, grandes mestres direcionaram, cada vez mais, suas lentes à cidade. Nomes como Augusto Stahl, George Leuzinger, Juan Gutierrez, Augusto Malta, Thiele-Kollien e, talvez, o mais importante de todos, o fotógrafo carioca Marc Ferrez (1843-1923) que construiu o mais rico acervo de imagens cariocas de todos os tempos.Para resgatar esse período de ouro da fotografia brasileira, o Instituto Moreira Salles (IMS) abriu a exposição Rio de Janeiro, 1862-1927, reunindo fotos emblemáticas pertencentes a um acervo composto por mais de 65 mil imagens da instituição. O destaque são as fotografias de Marc Ferrez, incluídas no segmento Os Fotógrafos Pioneiros, dedicado aos mestres que registraram o surgimento de um Rio urbanizado e descentralizado. Entre as imagens raras está a do Aqueduto da Carioca e do Morro de Santa Tereza (atual Lapa), feita em 1865 por Leuzinger.As imagens expostas no segmento A Expansão da Fotografia fazem parte de um período de intensa produção, desencadeado pelo desenvolvimento da estereoscopia - que simulava a tridimensionalidade. Entre os nomes que surgiram na época estão Archanjo Sobrinho, Conde de Agrolongo e F. Bastos, que registraram as reformas urbanas que mudaram a cara da capital nas primeiras décadas do século. Nesse módulo, estão expostas imagens de arquivo da revista argentina Caras y Caretas, que dedicou amplo espaço à cobertura política e cultural do Rio nesse período.No terceiro e último segmento da mostra, A Era dos Postais, são exibidos trabalhos resultantes da democratização da fotografia. Surgia o fotógrafo amador, que abriu novos campos de atuação para os profissionais - imprensa, livros e cartões-postais. Talvez aí tenha surgido a expressão que define o Rio como "cartão-postal do Brasil", motivo de orgulho para qualquer carioca.A mostra no IMS deu origem ao livro Rio de Janeiro, 1862-1927: Álbum Fotográfico da Formação da Cidade. Com mais de 150 imagens, a publicação tem prefácio de Zuenir Ventura e ensaios de Pedro Karp Vasquez (sobre os fotógrafos) e Augusto da Silva Telles (sobre as transformações urbanísticas da cidade). Para complementar a exposição, o instituto publicou também o Almanaque Carioca - dirigido a estudantes - que resume os principais fatos históricos ocorridos no período que a mostra abrange.Rio de Janeiro, 1862 - 1927. De terça a sexta, das 13 às 20 horas; sábado e domingo, até às 18 horas. Instituto Moreira Salles. Rua Piauí, 844, 1.º andar. tel. 825-2560. Até 26/11

Agencia Estado,

11 de setembro de 2000 | 20h47

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.