Com experiência museológica desde a década de 1970, em sete instituições, entre elas, a Funarte e o Museu Nacional de Belas Arte, Paulo Herkenhoff, que também foi o curador-geral da 24.ª Bienal de São Paulo em 1998, diz que com o MAR foi "posto para voar".

Entrevista com

28 Fevereiro 2013 | 02h12

O que o amarrava nas experiências anteriores?

A burocracia, a pequenez das pessoas e a falta de empenho. Para mim, a questão básica, hoje, do museu é qual o lugar da arte na esfera pública. O MAC-USP, desde o Walter Zanini, é para mim o modelo de museu como instituição acadêmica para pensar a arte e não para fazer evento. No MAR, não estamos interessados em eventos, mas trabalhar o processo. A inscrição da arte na esfera pública e de novas possibilidades, e uma delas é a educação. O que um professor do ensino fundamental precisa e o que ele quer? Os professores são a chave do ensino. A Prefeitura do Rio tem 1.067 escolas, vai construir mais 200, temos de estar juntos nesse processo. E trazer 600 mil crianças e trabalhar com uma formação permanente de artistas e de estudantes.

Por um lado, o MAR não está vinculado a nenhuma universidade como o MAC-USP.

Temos um programa, o MAR na Academia. Estamos em conversa com quatro universidades para construir uma programação de seminários como o que vamos realizar em maio com (o filósofo Georges) Didi-Huberman. E formando grupos de estudos. Ao mesmo tempo, professores e alunos vão pesquisar nosso acervo. Isso começaria no segundo semestre. A ideia é que sejamos um corpo pequeno de curadores e trabalhemos com curadores universitários. Não queremos trabalhar com curadores vinculados ao mercado. Queremos estimular a autonomia da universidade em relação ao mercado.

Como analisa a envergadura do projeto do MAR?

Nosso museu é vinculado à educação, temos a Escola do Olhar. O Rio é muito frágil no trabalho da educação nos museus. Estamos trabalhando com uma ideia de que devemos atender a população carente de uma maneira ampla e individualizar a experiência e mais uma vez o professor é chave. Digo que doar para o MAR é doar para a educação. / C.M.

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