O Rio antigo, visto por expedições estrangeiras

Até hoje o Rio de Janeiro continua lindo e por isso não é difícil imaginar como foram as primeiras impressões das terras tropicais por naturalistas, retratistas, enfim, artistas-viajantes europeus que tinham a capital carioca como parada obrigatória ou "bem-vinda pausa" durante as longas viagens em direção à Austrália, nos idos de séculos passados. Como escreveu o etnógrafo e pintor inglês Oswald Brierly em seus Diários de Viagens ao Rio de Janeiro - 1842-1867 (Andrea Jakobsson Estúdio Editorial), tudo aqui nessas terras acontecia "em uma escala grandiosa e magnificente". Já tivemos oportunidades de ver relatos e obras de artistas viajantes que pelo Brasil passaram, mas agora chega a São Paulo um novo conjunto inédito desses trabalhos. Quando o diplomata brasileiro Pedro da Cunha e Menezes foi nomeado cônsul-adjunto em Sydney, em 2001, interessado na obra do artista Augustus Earle (que inclusive viveu no Rio por três anos) ele encontrou em bibliotecas australianas "um acervo muito mais rico e diversificado do que jamais imaginara": uma "bela brasiliana de mais de 200 obras" com desenhos, aquarelas e diários de, majoritariamente, artistas ingleses que fizeram escala na Baía de Guanabara durante as chamadas expedições pelos mares do sul entre 1768, a chegada do Endeavour liderado por James Cook, e 1867, quando aportou no Rio o Galatea, que trazia Oswald Brierly. "Ao admirar The Great Washing Tribe Carrioca at Rio di Janeiro, do dinamarquês Jacob Janssen, é quase possível escutar a algazarra das lavadeiras no chafariz da Carioca", diz Menezes. Mostra e livro Uma parte desse material poderá ser visto na mostra O Rio de Janeiro na Rota dos Mares do Sul, que será inaugurada nesta terça-feira na Pinacoteca do Estado, e na segunda edição do livro homônimo à exposição, editado por Andrea Joakobsson Estúdio, que será lançado na ocasião. A mostra foi exibida entre novembro e janeiro no Centro Cultural dos Correios, no Rio, onde atraiu mais de 17 mil visitantes. Além das obras de acervos australianos como State Library of New South Wales, Coleção Kerry Stokes, em Perth, e State Library of Western Australia, reuniu também peças de coleções cariocas - estava concentrada, basicamente, na iconografia do Rio. Agora, em São Paulo, a exposição está diferente: o material da Austrália dialoga com 29 trabalhos da Coleção Brasiliana da Fundação Estudar, que tem curadoria de Carlos Martins e Valéria Piccoli. "Selecionamos obras que tinham um perfil parecido com os trabalhos dos acervos australianos como aquarelas e desenhos e não a grande pintura", diz Valéria. Para não se concentrar apenas na iconografia carioca, estão entre as peças da Coleção Brasiliana as feitas pelo francês Sinety (um conjunto sobre uma longa travessia, passando por Gibraltar, Bahia e Rio), por Rugendas e apenas duas pinturas. A cenografia foi pensada para remeter a um gabinete de artistas viajantes, com astrolábio e cartas. Como diz Valéria, pesquisadores brasileiros já tinham notícias sobre as obras pertencentes aos acervos australianos (feitas por ingleses - mais interessados na paisagem - e franceses - mais voltados para o olhar antropológico), mas nunca tiveram a oportunidade de levantar o material. O Rio de Janeiro na Rota dos Mares do Sul. Pinacoteca. Praça da Luz, 2, tel. (11) 3229-9844, 10h/18h (fecha 2.ª). R$ 4 (sáb, grátis). Até 22/4

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