'O Retrato de Dorian Gray' chega aos cinemas

A beleza contra a decrepitude. A pureza versus a libertinagem. A história do jovem e inocente Dorian Gray e sua imersão num universo de devassidão ganha mais uma versão para o cinema, nas lentes de Oliver Parker, cujo filme de maior representatividade, como diretor, foi a adaptação de "Othelo" (1995), de William Shakespeare, com Laurence Fishburne. "O Retrato de Dorian Gray" chega hoje aos cinemas do país.

AE, Agência Estado

25 de março de 2011 | 10h26

Nem o peso de ter em seu elenco o ganhador do Oscar deste ano de Melhor Ator, Colin Firth, salva a adaptação de cair num marasmo. O início do filme dá a impressão de que seremos guiados pela história de maneira não cronológica, mas, na verdade, só entrega, nos primeiros minutos, o que acontecerá no decorrer da trama.

Vemos um Dorian transtornado, apunhalando alguém, colocando os pedaços da vítima numa mala com as suas iniciais e jogando-a no rio. A história volta um ano no tempo. A partir daí, segue-se uma narrativa cronológica. Conhecemos um recatado Dorian Gray. Sua inocência é explicita, banal. Logo ao chegar em Londres de 1890, o jovem quase é engambelado por um grupo de rapazes mal-intencionados. Ben Barnes, no papel principal, faz um bom trabalho. Principalmente durante a transformação, de personagem puro a violento.

Mais interessantes que o próprio personagem principal, são os dois coadjuvantes. Ben Chaplin e Colin Firth são amigos de Gray: o artista Basil Hallward e o aristocrata Lorde Henry Wotton, respectivamente. Cada um deles representa um lado da moeda. Nessa dicotomia entre as duas filosofias, "seja alguém e conservador" ou "viva sem pudores", fica obvio quem é que ganha a preferência do Gray. Basil pinta o famoso retrato que dá nome ao longa. "Minha maior obra", diz.

Misteriosamente, a pintura passa a absorver qualquer infortúnio que acometa o jovem retratado - seja físico ou sentimental. Enquanto Dorian não envelhece, seu amigo, Lorde Wotton (Firth), perece na batalha contra o tempo. A sua decadência, sim, é interessante. Mas, em mais um filme de época com Colin Firth, dá até vontade de esperar por uma gaguejada. Uma, que seja. As informações são do Jornal da Tarde.

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