O retorno da 1ª dama do rock

Enquanto meio mundo comenta sobre Lady Gaga a bordo de seu ovo embrionário, uma senhora de 73 anos está arrebentando no palco. Com menos pompa, é verdade, mas tomada por uma vitalidade de fazer qualquer musa pop morrer de inveja. De uns tempos pra cá, a capacidade de se autopromover, principalmente pela excentricidade, tem regido a cena. Já para a gloriosa Wanda, o que interessa é incendiar a plateia com o bom e velho rock"n"roll.

Emanuel Bomfim, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

Em grande forma, a cantora americana desfruta de uma rara oportunidade entre veteranos: a de conquistar uma geração de fãs mais jovens, que mal deve saber que ela foi namorada de Elvis Presley e teve a honra de ser uma das primeiras mulheres a gravar um rock - com Lets"s Have a Party, em 1958. Mais de meio século depois, o pique de festa da primeira dama do rockabilly segue acelerado. The Party Ain"t Over é um daqueles discos que já nascem clássicos, pelo simples apetite de uma estrela em redescobrir o mesmo som que iluminou uma juventude comportada.

Wanda Jackson não fez isso sozinha. Um ícone de nossos tempos, aclamado no cenário underground, desempenhou o papel de projetar a nova fase na carreira da roqueira sulista. Ele é Jack White. Sim, o homem do extinto White Stripes foi quem azeitou a pista para Jackson brilhar. A parceria, que pode parecer estranha, tem fundamento. Em 2004, o músico produziu o álbum Van Lear Rose, da lenda do country Loretta Lynn. Pilotar mais um destes renascimentos correspondia a seu desejo de transitar livre pela música, sem amarras com nenhuma banda.

White, como produtor, entendeu que não podia estragar a festa. O moderno, na sua concepção, deveria estar ligado ao símbolo da independência feminina representado por Wanda. Nada de botar indie no calipso. Ele só deu peso necessário para a voz áspera da "gata selvagem" ronronar. Certeiro, o repertório traz Bob Dylan, Andrews Sister, Elvis Presley e Johnny Kid. Coube até um cover mais comportado de You Know I"m No Good, de Amy Winehouse. Já que o clima é de celebração, até dançar vale. Wanda Jackson ainda faz isso no palco. E como poucas.

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