O rei da voz e a mina de ouro no mangue

Francisco Alves (1898-1952) gravou um repertório com valsas, maxixes, modinhas, boleros, marchas, tangos, foxes, canções e toadas, mas o grosso mesmo, cerca de 40%, era composto de sambas. Registrou quase mil músicas - tornando-se o recordista no País em discos de 78 rotações -, e foi o principal responsável por dar voz e notoriedade aos compositores do Estácio. "Cerca de 80% dos sambas produzidos no Estácio foram gravados pelo Francisco Alves. Se não fosse ele, o Estácio não existiria", diz Franceschi. Chico Alves, que também havia gravado e atuado em alguns programas de rádio sob o pseudônimo de Chico Viola, declarava que seu gênero preferido era a canção, mas, para garantir o sustento, gravava sambas em agrado ao público. A mina de ouro tinha endereço. O maior intérprete do Brasil naquele período passou a frequentar o mangue do Estácio e garimpar as joias dos bambas que estourariam em sua voz. "Tem gente que diz que ele roubava os sambas, mas isso é bobagem", defende Franceschi. Entre as preciosidades do Estácio gravadas pelo Rei da Voz - e presentes no DVD -, A Malandragem (Bide), Ando Cismado (Ismael Silva e Noel Rosa), Coração Volúvel (Brancura) e És Feliz (Heitor dos Prazeres).

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2010 | 00h00

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