O que querem essas mulheres?

Críticos talvez exagerem ao definir Sang-soo como o Eric Rohmer ou o Yasujiro Ozu de sua geração

O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2013 | 02h11

Hong Sang-soo não para. Em Cannes, no ano passado, ele mostrou A Visitante Francesa. Em Berlim, em fevereiro, concorreu com Nobody's Daughter Haewon. E já se comenta que estará de volta a Cannes, em maio, na mostra Un Certain Regard, com o novo longa que conclui rapidamente, Our Sun-Hee. Os críticos talvez exagerem ao definir Sang-soo como o Eric Rohmer ou o Yasujiro Ozu de sua geração, mas ele certamente adora os tons discretos, as narrativas minimalistas.

É um cinema antihollywoodiano, feito sem roteiro, mas não de forma improvisada, como Isabelle Huppert esclarece na entrevista acima. A Visitante Francesa retoma muita coisa do autor. As conversas, as bebedeiras, as relações amorosas complicadas, os diretores e roteiristas de cinema. Mas há algo que agora difere, e que talvez tenha a ver com a presença de Isabelle Huppert. Em vez de filmá-la no bairro boêmio de Seul que abriga a maioria de seus filmes, Sang-soo busca outra moldura - a cidade litorânea.

É nela que Isabelle vive suas três histórias, sempre como a estrangeira chamada 'Anne'. O que faz, o que busca essa mulher? Sang-soo propõe uma trama tênue, com diálogos simples, ocasionalmente divertidos. E assim como há Anne há o salva-vidas tão apaixonado quanto atrapalhado - quem faz o papel é o ator fetiche do diretor, Yu Jungsang. Não ocorre muita coisa, histórias e personagens propõem sutis variações de uma mesma história, e de uma mesma personagem. Mas, se o espectador entra na brincadeira - o cinema de Sang-soo é lúdico -, há aqui uma interessante reflexão sobre o jeito como as mulheres amam, a forma como os sul-coreanos acolhem os estrangeiros e também como nossas ações podem ser influenciadas pela cultura, ou por diferentes estados de espírito.

Crítica: Luiz Carlos Merten

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