O que os artistas esperam de Gil

O que os artistas pensam da escolhado cantor Gilberto Gil para o Ministério da Cultura:Deonísio da Silva, escritor: "Talvez o presidente queiramirar-se no exemplo do ´companheiro´ Bush, que tem dois negrosem seu ministério, e nomeie Gilberto Gil para o Ministério daCultura. Nada contra o cantor e compositor, mas não é o melhornome para as circunstâncias. O Brasil ouve muito e lê pouco,assim como vai pouco ao teatro e ao cinema. Essa escolha medeixou desconcertado e perplexo. Que idéia faz da Cultura o novogoverno? Esperava e ainda espero um profissional de outro perfil de outras qualificações. Antes de aceitar, foi verificar o quê?O interesse público de um cargo público? Não! Seus interessesparticulares. Disse que iria examinar se seria possívelcompletar os R$ 8 mil mensais com shows musicais quinzenais. Éindecente, ilegítimo achar pouco um salário de R$ 8 mil quandoos tetrarcas da economia estão vacilando ao redor de R$ 200 parao salário mínimo."Décio Pignatari, escritor: "A escolha de Gilberto Gil para oMinistério da Cultura é interessante, o problema é saber comoele vai direcionar a cultura. Ele é um ícone da cultura populare terá o desafio de pensar um tipo de cultura que vai além dopopular e folclórico." José Ramos Tinhorão, crítico: Coisa engraçada, ou não se achagraça ou ri. Lya Luft, escritora: "Sou admiradora de Gilberto Gil comomúsico, no entanto, para o Ministério da Cultura esperava alguémcomo Antonio Candido, uma pessoa que possui uma visão ampla dacultura. Estranhei um pouco a escolha de Gil e estou naquela´ver para crer´." Sábato Magaldi, escritor: "Gilberto Gil além de ser um grandecompositor, é uma pessoa muito inteligente. Espero que ele possausar essa inteligência em seu Ministério." Inácio de Loyola Brandão, escritor: "Confio no Gil como umfigura esclarecida, inteligente e de proa. Mas, será que depoisde tantos governos teremos uma atenção para a cultura ou elacontinuará a ser desprezada?" Luiz Tatit, músico: "Levando em consideração o nome, a escolhade Gilberto Gil é ótima. Sua idéia com relação a arte é ótima,porém não sei como será sua margem de manobra dentro doministério. Ele possui um temperamento dinâmico, que ser foraplicado às atividades políticas será muito proveitoso. Aescolha de Gil dá a mesma impressão de quando Pelé foi nomeado,no sentido de que são pessoas identificadas com suas áreas. Eleé muito diferente dos demais nomes cogitados e escolhidos paraoutros Ministérios, não sei se essa diferença dá um bomsamba." Fúlvio Stefanini, ator: "Na minha opinião, cargos burocráticosdevem ser exercido por burocratas. O Ministério da Cultura exigealguém com sensibilidade, com uma visão geral da cultura, quesaiba divulgar nossas raízes - o que projeta o País para o mundoé a sua arte, a cultura funciona como uma vitrine. Ele temsensibilidade, não sei como vai se sair." Paulo Pederneiras, diretor do Grupo Corpo: "Estava preocupadocom o nome a ser escolhido para o Ministério da Cultura. Quandosoube que era o Gil fiquei mais tranqüilo. Minhas expectativassão boas." Gabriel Villela, diretor de teatro: "Acho que o Lula tem muitaperspicácia para escolher seu Ministério. Gilberto Gil tem muitaexperiência, já foi secretário da Cultura na Bahia. Vejo combons olhos a sua escolha. Não é um artista alheio às outrasvariações artísticas. Sei que é uma pessoa com sabedoriaartística, acho que será bem representativo." Davi Moraes, músico: "Quando ouvi a notícia, fiquei feliz. OGil é da cultura, mas acho que tem veia política também. Elegosta disso, tem essa vontade de contribuir, o que é um ponto amais. Não tem como dar errado. Contanto que a gente não percaele dos palcos..." Roberto Frejat, cantor e compositor: "Se a escolha de Gil foiacertada, só o tempo vai dizer. Ele tem bagagens profissional emoral indiscutíveis. Vendo de fora, o mais importante é o PTmostrar a que veio. É importante que o ministro da Cultura tenhaa personalidade do PT." Fernando Peixoto, ator e diretor de teatro: "Acheiinteressante a escolha. Sou amigo do Gil desde o começo dacarreira dele. Ele é muito empenhado, inteligente e bastanteligado ao movimento cultural do Brasil. Vamos ver quem faráparte de sua equipe, quais serão os projetos." Suzana Amaral, cineasta: "Gilberto Gil não é bem um executivo,mas como artista tem sensibilidade suficiente para entender osproblemas culturais e formar uma boa equipe. São tantas questõespara serem resolvidas, mas acho que é necessário reformular asleis de incentivo. O uso delas mostrou algumas lacunas. Dou omaior voto de confiança para ele, vai dar muito certo." Assunção Hernandes, presidente da Congresso Brasileiro deCinema: "Quem escolhe o ministro é o Lula e espero que Gilcumpra à risca suas obrigações, que se empenhe. O Gil é umexcelente cantor, compositor, a gente tem o maior carinho porele. O que eu não gostei foi o Ministério da Cultura ter sido umdos últimos a ser definidos, de ter sido oferecido para algunspartidos e sido recusado por eles, alegando que o Ministériopaga pouco." Fernando Meirelles, cineasta: "Não sou contra nem a favor,pois obviamente ainda não há um programa para o Ministério. Souum fã histórico do Gil, mas tenho recebido muitas mensagens decolegas da Associação Paulista de Cineastas, que não vêem combons olhos sua indicação para o cargo." Bruno Tolentino, escritor: "Achei uma maravilha, pois o Gil éuma pessoa capaz, além de amado e conhecido no Brasil. É umícone e permite que todos se identifiquem com ele, desde osintelectuais até os garotos de periferia, ou seja, quemrealmente faz a cultura deste País. Se o escolhido fosse oCaetano Veloso, eu não gostaria, pois ele é desagregador comoeu." Paulo Betti, ator: "A escolha é surpreendente e extremamentepositiva! Em poucos dias, o Ministério da Cultura ganhouimportância, o que prova que Lula vê longe e pensa grande. Giltem um grande simbolismo associado à experiência, à questãoracial, à cultura negra. Gil fez os tambores soarem pelo Brasilafora nos Percpans. Sua representação simbólica é firmementeestruturada numa organização eficiente. Foi economista, criouuma das primeiras ONGs do Brasil, foi pioneiro na internet. Écompositor, músico e cantor genial. Seus shows poderãorevolucionar a prática ministerial. E as relaçõesinternacionais? Golaço!" Jorge da Cunha Lima, diretor-presidente da Fundação PadreAnchieta: "Acho que o Gil é o novo paradigma no Ministério daCultura. Os ministros, normalmente, são detentores deconhecimento acadêmico e Gil é detentor de criatividade. Ele vaise defrontar com dois problemas: o Ministério da Cultura temsido desprezado pelo governo e não consegue nem 1% do orçamento,além de ter burocracia, pois Fernando Collor fez questão defechar as instituições e deixar os burocratas. O que sobra paraele é que o Ministério tem efeito simbólico profundo, precisarevelar os valores da identidade nacional, que não se confundemcom os valores consagrados no mercado comercial da arte. Achoque ele tem força para isso, apesar das críticas que preferemver lá um técnico burocrata."

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