O que o motivou a adaptar o livro de Kathryn Stockett?

Entrevista com

02 de fevereiro de 2012 | 03h08

Quando vim para Hollywood, em 1996, havia decidido que queria contar histórias. E as histórias que queria contar não eram fantásticas, eram de gente. Encontrei um material muito rico no livro de Kathryn, que também é do Sul (dos EUA), como eu. Ela escreveu sobre pessoas que conhecia, eu as filmei porque também as conheço. Além do livro, fiz pesquisas com mulheres que viveram os duros tempos das lutas por direitos civis, há 50, 60 anos. Procurei colocar na telas essas histórias, e de um jeito particular. Nós, do Sul, temos o gosto da narrativa. Se você quer barganhar, não importa o que, vai contar uma história. Se quer reclamar, cumprimentar, nunca é direto. Conta uma história. Foi isso que me motivou. A humanidade dos personagens, e falo basicamente das mulheres, a pluralidade de suas vozes.

Há muitos anos houve um filme que não deixa de ter relação com o seu. Uma História Americana, de Richard Pearce, sobre patroa e empregada que participam da marcha por direitos civis. Conhece?

Sissy (Spacek) era uma das atrizes (com Whoopi Goldberg). Sissy tem uma bela participação em Histórias Cruzadas. Tive o privilégio de reunir um elenco extraordinário, com todas essas atrizes. Sissy me falou sobre esse filme, sobre uma mulher branca oprimida que se une à empregada na marcha pelos direitos, no fundo, das duas. Conheço muito bem o melhor e o pior da natureza humana. Os afrodescendentes foram humilhados e reprimidos no Sul. É incontável a lista dos que morreram assassinados. Mas havia gente com uma consciência. Um dos grandes filmes para mim é O Sol É para Todos, baseado no livro de Harper Lee, sobre advogado que dá lições de civilidade aos filhos numa questão envolvendo racismo.

Como você conseguiu reunir todas essas atrizes?

Viola (Davis) estava na minha mira desde o começo. Sabia do que ela é capaz e nunca duvidei de que faria o papel maravilhosamente. Octavia (Spencer) é minha amiga. Viemos juntos para Los Angeles, ela querendo ser atriz, eu querendo ser diretor. Assim como Kathryn me apoiou e me fez o diretor do filme, eu me bati por Octavia porque sabia que ninguém, melhor que ela, poderia fazer a personagem. Jessica (Chastain) foi um golpe de sorte. Ela ainda não era Jessica Chastain. Fez o teste, gostei demais. Depois veio toda essa história de A Árvore da Vida. Nada me alegra mais do que as minhas escolhas de elenco. / L.C.M.

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