O Punk se aventura pelo Brasil

Mike Ness, líder da Social Distortion, promete altas doses de energia

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2010 | 00h00

Demorou demais para que Mike Ness, líder e vocalista do Social Distortion, percebesse. A banda seminal do punk americano atravessou 30 anos de álcool e drogas sem pisar no Brasil. A culpa é dele. Ele admite. "O que me arrependo é de não termos viajado mais. Mas antes tarde do que nunca", disse Ness ao Estado, por telefone.

A redenção virá amanhã, na Via Funchal, quando o Social D, para os íntimos, apresentará sua evolução do punk de três acordes para uma bela fusão punk, blues, country e rockabilly pela primeira vez no País. A turnê começou ontem em Porto Alegre, hoje é a vez do Rio e, no domingo, Curitiba. E Ness enfim vai poder curtir o que classificou como "louca aventura" pelos trópicos e conhecer a fama internacional do "entusiasmado" público brasileiro.

A imagem que mais se aproxima à do líder do Social D é a de um Johnny Cash moderno, um bandleader capaz de compor, mesmo após ter sido quase aniquilado pelo vício em heroína. Suas letras, como as que declama em Ball and Chain e Prison Bound, são histórias bem contadas e relembram os melhores momentos de Cash.

"Realmente há uma conexão porque ele (Cash) também passou por momentos complicados", lembrou Ness. "Ele era um grande contador de histórias, ele pintava retratos com suas letras e é o que eu tento fazer."

Como bom punk, porém, ele frisou o que o separa do ídolo do rock americano. "Eu nunca entrei para qualquer religião. Tenho um lado espiritual, mas não fiz isso." Em seguida, Ness avançou para a autocrítica. "Foi por sorte que larguei as drogas. Se eu tivesse dinheiro naquela época (anos 80) teria morrido", lembrou.

Ele escapou por pouco. A banda californiana, também, sobreviveu quase que por milagre. O Social D nunca veio ao Brasil porque era difícil manter a coesão do grupo. Foram somente sete discos lançados desde o início da carreira, em 1978, com hiatos de até cinco anos entre as gravações.

Para piorar, em 2000, o baixista Dennis Dannell, colega de escola de Ness, morreu vítima de um aneurisma cerebral aos 38 anos. Naquele momento parecia que a banda iria acabar, mas não foi o que aconteceu. Em 2004, o Social D gravou Sex, Love and Rock"n"Roll e acaba de sair do estúdio. O novo disco ainda não tem nome, nem data para ser lançado. Deve ficar para agosto.

Set list. O set list brasileiro, informou Mike Ness, vai ter um pouco desse novo álbum. Ele até queria mostrar mais as novas músicas. "Mas não dá para sermos egoístas. São 30 anos de carreira e não posso pensar em um set que não tenha um pouco de tudo", afirmou ele.

Sobre o show? Ele garantiu altas doses de energia do começo dos anos 80, quando emparelhava com o Black Flag como melhor do punk de Los Angeles, e o amadurecimento da banda, dos anos 90 até hoje. "Dizem que nosso som às vezes pende para Rolling Stones, outras vezes para Ramones e até outros caminhos. Mas o fato é que não temos medo de evoluir", avisou Ness.

Social Distortion

Via Funchal (6.000 lugs.).

Rua Funchal, 65, Vila Olímpia, tel. 2198-7718.

Dia 17 de abril, às 22 h. Ingressos a R$ 120/ R$ 200

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