O pulo de Bocato

Desde a Banda Metalurgia, que fez furor em 1982, o trombonista Bocato se impôs na cena da instrumental brasileira. Tocou com quase todos os grandes dos anos 80/90 - Elis Regina, Rita Lee, Ney Matogrosso. No fim dos anos 90 foi para a Europa, mostrou sua música até no venerando Festival de jazz de Montreux. Mas só agora, aos 52 anos, teve condições financeiras e tempo - trabalhou de julho/2011 a fevereiro/2012 entre composição e estúdio -, para criar um arrebatador caleidoscópio de seu universo sonoro em Esculturas de Vento.

JOÃO MARCOS COELHO, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h08

Ao todo, são 15 composições inéditas, em que Bocato, fã do "Tratado de Orquestração" de Rimsky-Korsavov, exercita uma escrita sinfônica refinada (nada a ver com cacoetes villa-lobianos ou jobinianos), entremeada de intervenções eletrônicas e uma parafernália de instrumentos acústicos - em que comparece o trombone do líder, que tem a sensibilidade de não ocupar todos os espaços.

Ao contrário, quem mais brilha é o compositor Bocato. Daí por que esta gravação é fundadora de novo estágio em sua carreira, o de criador sem fronteiras, que em plena maturidade brinca com as linguagens e administra os timbres como um alquimista. Em Circus Paradise, a música começa sinfonicamente erudita e aos poucos desliza para outras linguagens, assume pulso regular e conclui numa parafernália percussiva à brasileira. Uma "viagem" de dez minutos - memorável, refinada, visceral. Há outras gemas e, no fim, ele termina avisando "Vou dormir, pois tenho que sair". Vai mesmo: em 2013, muda-se para os EUA.

BOCATO

ESCULTURAS

DE VENTO (CD duplo)

Selo Sesc

Preço médio:

R$ 30

EXCELENTE

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