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O provocador Serge

Joann Sfar conta por que retratou a vida de Serge Gainsbourg, o artista que 'iluminou Paris'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2011 | 00h00

Em janeiro, em Paris, jornalistas de vários países, reunidos no primeiro Festival online do Cinema Francês, tiveram o privilégio de assistir à première de Gainsbourg. O próprio diretor Joann Sfar explicou por que o pai de Charlotte Gainsbourg, companheiro da não menos lendária Jane Birkin, virou uma obsessão para ele. "A primeira vez que vi Serge foi na televisão. Era garoto e ele estava bêbado. Dizia os maiores impropérios. Não poupava nada nem ninguém. Eu era apenas um pequeno garoto judeu, mas, naquele momento, tive a sensação de que valeria a pena crescer, virar adulto, para ousar, como aquele cara."

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Para dar conta de um artista que nunca deixou de ser controverso, Joann Sfar deu-se conta de que não poderia adotar uma estrutura narrativa convencional. O seu Gainsbourg tinha de misturar técnicas, mídias. O conto não estaria completo sem animação. O realismo tinha de ganhar o aporte da ferramenta da fantasia. As mulheres de Serge Gainsbourg, as canções, as poesias, os filmes - as provocações. E há a questão essencial de que ambos, o autor e o personagem são judeus.

"Serge não poupava nem a Marselhesa, que gravou em ritmo de reggae. Eu criei o gato do rabino para expressar uma fração de suas diatribes."

Filho de uma mãe ashkenazi e de pai sefaradim, Joann Sfar usa a história do gato do rabino para passar uma série de informações históricas e teológicas. O filme sobre Gainsbourg não deixa de fornecer informações sobre o artista, mas Sfar não espera que venha a ser considerado um documento acurado.

A liberdade de ousar, criar, tentar foi que o impulsionou. Sfar tem consciência de que seu filme seria até frustrado se não tivesse encontrado em Eric Elmosnino o ator capaz de ir fundo no personagem. E as mulheres - Lucy Gordon, Laetitia Casta, como Brigitte Bardot.

Gainsbourg é único e é múltiplo na visão de Joann Sfar. O filme o segue criança durante a ocupação nazista, estudante de pintura que abandonou a carreira, grande adepto de bebedeiras, cantor/compositor que foi da música clássica ao funk, mais bebedeiras, muitas conquistas amorosas.

Por mais genial que tenha sido, não foi uma unanimidade, principalmente no cinema. A incursão pela homossexualidade e os amores sodomitas de Joe Dalessandro em Prazer Selvagem não provocaram muito entusiasmo.

Jean Tulard, no seu Dicionário de Cinema, considera Stan the Flasher repugnante. Não importa. Gainsbourg tudo ousou, daí sua vida heroica - heroica aos olhos de Joann Sfar. A exemplo do que ocorreu na França, Gainsbourg - O Homem Que Amava as Mulheres promete incrementar a polêmica, também no Brasil, sobre um artista que foi e segue influente.

GAINSBOURG - O HOMEM QUE AMAVA AS MULHERES - Direção: Joann Sfar. Gênero: Drama (França-EUA/2010, 130 min.). Censura: 16 anos.

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