''O problema foi evitar a vulgaridade'', diz diretora

''O problema foi evitar a vulgaridade'', diz diretora

Qual é a comédia romântica preferida da diretora Nanette Burstein? Ela não vacila do outro lado da linha, falando com o repórter pelo telefone, de Los Angeles. "Esta é fácil - Annie Hall." E por que ela gosta tanto da comédia de Woody Allen lançada no Brasil como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (ela acha graça do título, quando o repórter lhe conta). "Porque é honesta."

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2010 | 00h00

Você parece dar grande valor à honestidade. Por quê?

Porque ela é necessária, na arte como na vida. Não creio que exista outra forma de consolidar relações pessoais e artísticas sem integridade, e quando digo isso quero me referir à honestidade. Dos sentimentos, dos preceitos estéticos. Woody Allen fez uma comédia que marcou época e resistiu ao tempo. De alguma maneira, sei que estou trabalhando com um material mais perecível - Annie Hall ganhou o Oscar -, mas isso não me impede de tentar ser honesta, com meus personagens e com os espectadores.

Como uma diretora conhecida por seus documentários - e American Teen fez grande sucesso em Sundance - foi parar numa comédia com Drew Barrymore?

Drew é conhecida por produzir o próprio material, mas desta vez a ideia não partiu dela. Estava procurando uma história para minha estreia na ficção quando surgiu esse roteiro que me fascinou. Tenho experiência com essa coisa de amor a distância e todo mundo conhece alguém que está se relacionando em outra cidade, outro país. Gostei do humor e dos sentimentos. Tudo me pareceu sincero. Fui a primeira a embarcar no projeto, Drew chegou depois. Sugeri o nome de Justin Long, seu parceiro na vida. Confesso que os dois me surpreenderam. A química na tela superou minha expectativa.

O estúdio não criou problemas com tantos palavrões?

Em momento nenhum. O problema nunca foi evitar o palavrão, mas a vulgaridade.

Drew é do tipo que manda alguém se f... com naturalidade.

Ela própria reconhece que, às vezes, tem dificuldade para se controlar. Mas Drew é um doce de pessoa. E ela é linda. Não um tipo convencional de beleza. Ela resplandece. E com Justin, as entrelinhas da história, o sexo, fica mais real.

O amor a distância é possível?

Somente até certo ponto. Existem vários motivos para isso. Obrigações profissionais, guerras. Muitas vezes, a permanência depende da qualidade dos encontros. Tem gente que só funciona assim. Eu quero crer que o amor compartilhado implica certos compromissos. Não há desafio maior do que reinventar todo dia a relação, vivendo junto.

AMOR A DISTÂNCIA

Nome original; Going the Distance. Direção: Nanette Burstein.

Gênero: Comédia (EUA/2010, 102 minutos). Censura: 14 anos

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