O POP FATAL DE ALISON GOLDFRAPP

Cantora mostra hoje, pela primeira vez no Brasil, os seus beats sedutores

ROBERTO NASCIMENTO, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2011 | 03h08

O pop dançante de Alison Goldfrapp veste diversas roupagens, do dance oitentista ao eletro pop soturno. Em cinco discos, a cantora e seu parceiro Will Gregory produziram uma obra que flerta com o experimental ao mesmo tempo em que é acessível (chegaram ao segundo lugar das paradas britânicas com o disco Supernature, em 2005, feito admirável para uma banda cult). "Trabalhamos sempre com nossos instintos", conta a cantora, em entrevista exclusiva ao Estado. "Muitas vezes, quando você tenta produzir algo que seja mais acessível, a sensação é de estar fazendo algo errado. Por isso, sempre abandonamos as fórmulas. Gostamos de mudar de estilo, de um disco para o outro", conta.

O Goldfrapp toca hoje (sem Will Gregory, que raramente aparece) pela primeira vez no Brasil, no Festival Planeta Terra. Pela fama de Alison ao vivo, deve ser uma das melhores apresentações da noite, um tour de force pelas melhores do cancioneiro contagiante da dupla.

De fato, a cantora e produtora não se retêm a fórmulas. O Goldfrapp lançou seu primeiro disco, Felt Mountain, em 2000, com canções espaçosas e reflexivas, auxiliadas por batidas eletrônicas. A música ia do triste ao sexy com influências de Björk e Portishead. Já no seguinte, Black Cherry, de 2002, a tristeza se sintetizou em eletro pop escurecido, de produção refinada. Já em Supernature, de 2005, a pegada de Goldfrapp voltou decididamente pop.

"Eu acho maravilhoso ter um hit. Especialmente quando você precisa pagar as parcelas do apartamento. Mas gosto de descobrir que algo que fiz com muito carinho caiu no gosto do público. Foi o que aconteceu com Supernature. Mas você também aprende a aceitar que muitas das coisas mais especiais para você talvez não sejam compreendidas por todo mundo. Tenho 45 anos e, na medida em que envelheço, essas coisas me preocupam menos. Faço o que me vem com naturalidade, pois no fim das contas, é tudo o que podemos fazer, não é?", reflete.

Depois do sucesso mainstream, Alison deu uma guinada em Seventh Tree, optando por um disco pastoral. Entre suas influências está o genial cantor e compositor Scott Walker, do Walker Brothers, que ficou famoso nos anos 60 e até hoje produz música estonteante.

"Me lembro da primeira vez em que o ouvi. Um amigo colocou o disco na vitrola e o mundo parou para mim. Enlouqueci com os arranjos, com a voz dramática dele. Então larguei o que estava fazendo e resolvi levar a vida artística a sério."

Foi quando entrou para a faculdade de belas-artes. Começou a cantar, gravou algumas demos e uma amiga a apresentou para Tricky, um dos pais do trip hop. Alison gravou Pumpkin para Maxinquaye, álbum de estreia do produtor, considerado um dos marcos do gênero.

Ao vivo, Alison é elogiada por sua presença. "As pessoas reclamam, mas de fato eu me sinto mais confortável com um microfone do que em uma conversa. Não consigo pensar em nada mais interessante do que a minha música para dizer às pessoas."

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