O poetinha que rouba a cena de Orfeu

O poetinha que rouba a cena de Orfeu

Conheça Wladimir Pinheiro, o maior destaque da peça que chega hoje a SP

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

Pianista, compositor, cantor, ator e, agora, poeta. Pelo menos na ficção. Amante da obra de Tom e Vinicius desde garoto, Wladimir Pinheiro encarna o poetinha no musical Orfeu. É seu personagem que conduz a conhecida história de 1956 escrita por Vinicius e musicada por Tom, do músico excepcional que atrai o morro inteiro com o que sai de seu violão, mas só tem olhos para sua Eurídice. E, graças ao timbre e à técnica, é ele o destaque absoluto do espetáculo.

A peça, que encheu o Canecão nos dois últimos fins de semana, desembarca hoje no HSBC Brasil, em São Paulo, onde fica só até 3 de outubro (sempre de quinta a domingo). Até o fim de outubro, seguirá por Brasília, Goiânia, Porto Alegre e Curitiba. É possível que ainda volte ao Rio.

Anunciado como "o maior musical brasileiro", Orfeu é essencialmente carioca. Já Wladimir Pinheiro é de Niterói. Ele começou a estudar piano aos 8 anos. Por acaso. Era ruinzinho de matemática na escola, e a mãe cuidadosa procurou uma professora particular. Só que na sala dela havia um piano...

"Enquanto esperava minha mãe chegar para me buscar, a professora me deixava ficar ao piano", conta Pinheiro, hoje com 33 anos e prestes a se casar. "Um dia ela se assustou ao me ver tocando Jesus, Alegria dos Homens, de Bach, e chamou a minha mãe, que me botou num coro infantil e para estudar piano.Sempre fui muito exibido."

Ele deu entrevista ao Estado na tarde de terça-feira, na Universidade Federal do Rio, onde termina o bacharelado em canto (no momento, trancou o curso, por culpa da turnê). O estudo formal chega agora, mas a experiência se acumula. Barítono, faz aulas particulares de canto desde aqueles 8 anos; seu repertório hoje inclui música de câmara, especialmente francesa e alemã (já se apresentou fora do Brasil várias vezes). Participou também de óperas e musicais que viajaram o País.

O teatro entrou em sua vida por intermédio da música - e não o contrário, como muitas vezes se vê na carreira dos atores/cantores brasileiros. Ele foi levado a Domingos Oliveira por um amigo. O dramaturgo e diretor precisava de um pianista, mas ele acabou também cantando. Domingos lhe deu umas falas, e ele se fez ator. O primeiro espetáculo foi Cabaré Filosófico. Depois foi dirigido por Sérgio Britto, Pedro Paulo Rangel, Paulo Betti...

A profusão de musicais que enfocam figuras e momentos da música brasileira aumentou o campo de trabalho. Quando começaram as audições para Orfeu, ele não pensou duas vezes. Chegando lá, deparou-se com vários conhecidos - à exceção dos atores que fisgaram os personagens principais, Orfeu (Érico Bras), Eurídice (Aline Nepomuceno) e Mira (Jessica Barbosa), "importados" da Bahia. "Você conhece todo mundo nos testes: se a vaga é para cantor e ator negro, você já sabe quem vai aparecer."

Cancioneiro. Ele achava que Orfeu era a sua cara. Afinal, conhecia as canções, e até os textos de Vinicius para a peça, que agora são seus, desde criança. "Ao 9 anos, ganhei cassetes da minha mãe com as músicas do Orfeu, incluindo os monólogos, lidos por Vinicius. Depois, adulto, saiu o livro com o cancioneiro, e eu comprei, para saber das histórias que estavam por trás, ler as cartas dele... É claro que quando soube das audições pensei: Tenho que entrar."

Hoje, não aceita limites. Em meio às viagens com Orfeu, grava com um trio de jazz um CD de serestas e sambas-canções, que ganharão o palco do Teatro das Artes, no Rio, em breve.

ORFEU

HSBC Brasil. Rua Bragança Paulista, 1.281, 4003-1212. 5ª, 21h; 6ª e sáb., 22h; dom., 19h. R$ 30/ R$ 180. Até 3/10.

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