MARCOS ARCOVERDE/AE
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O ''pocket-show'' de Amy

Summer Soul Festival traz a cantora a São Paulo, depois de passar por Floripa, Rio e Recife

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2011 | 00h00

Com o nome inscrito no verde de uma réplica da bandeira brasileira, Amy Winehouse faz hoje em São Paulo o quinto e último show de sua breve turnê. O escândalo de sua estreia no Brasil não foi (até ontem) nenhuma bebedeira ou barraco, mas o valor do cachê - considerado um disparate, principalmente em relação a seu desempenho e ao tempo de expediente no palco. Segundo especulou o tabloide inglês The Sun, ela teria recebido 5 milhões de libras (o equivalente a R$ 13 milhões) por esses que podem ser considerados pocket-shows ou ensaios.

 

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Das 18 músicas do roteiro (que se repetiu em Floripa, Rio e Recife e não deve mudar hoje), Amy participa de 14 como vocalista, mas cantar mesmo que é bom, só em três ou quatro. Pelo menos foi o que viu o público de mais de 10 mil pessoas que lotou o Stage Music Park, na capital catarinense. A gente que esperava ver uma vigorosa Cássia Eller encontrou uma Céu - vagaroooosa...

O show começa bem com a banda tocando o convidativo tema de abertura (um dos dois covers de Little Anthony & The Imperials) para recebê-la. Amy canta as primeiras músicas meio acanhada e põe tudo para fora mesmo só em Boulevard of Broken Dreams, que não é a do Green Day, mas outra mais antiga (leia nesta página).

A partir daí, o show mergulha numa marola de baladas (seis na sequência), que a maioria do público desconhece - como os covers de The Flamingos, Little Anthony e Jeff Buckley - e desanda. São belas canções, mas não funcionam para multidões que esperavam mais catarse de sua voz potente, como It"s My Party, hit de 1962 que regravou em 2010 num tributo a Quincy Jones.

Mesmo estática, em sua condição de mito moderno precoce, Amy magnetiza olhares e ouvidos. Mas o show não engrena, ela deixa o palco várias vezes saltitando, lê e erra letras - como foi o caso de Rehab em Floripa - coça o nariz, conversa com os músicos e se diverte mais do que qualquer um dos fãs. Depois de mais uma saída brusca, volta para o bis e arrasa nos covers redentores de You"re Wondering Now e Valerie. Mas já é tarde. Amy também frustrou os cariocas, mas há fãs paulistanos otimistas, acreditando que ela tenha se poupado para dar tudo de si aqui. Então tá.  

 

ROTEIRO DO SHOW

 

Shimmy Shimmy

Ko-Ko-Bop

Cover do grupo Little Anthony & The Imperials

 

Just Friends

Reggae do álbum Back to Black

 

Back to Black

Faixa-título do álbum de 2006

 

Tears Dry on Their Own

Outro highlight do mesmo CD

 

Boulevard of Broken Dreams

Cover de uma antiga canção do repertório de Tony Bennett

 

I’m on the Outside (Looking in)

Outro cover do repertório de Little Anthony & The Imperials

 

Lovers Never Say Goodbye

Mais uma balada, esta do repertório do extinto The Flamingos

 

I Heard Love Is Blind

Balada do álbum Frank (2003)

 

Love Is a Losing Game

Outro hit de Back to Black

 

Some Unholy War

Mais uma do CD de 2006

 

Everybody Here Wants You

Cover de Jeff Buckley, cantado pelo vocalista Zalon Thompson

 

What’s a Man Going to Do?

Outra só com Thompson

 

Rehab

O grande hit de Back to Black

 

Cherry/Band intro

Tema instrumental durante o qual Amy apresenta a banda

 

You Know I’m no Good

Outro hit de Back to Black

 

Me and Mr. Jones

Mais uma do álbum de 2006

 

You’re Wondering Now

Ska do grupo The Specials, um dos picos do show, já no bis

 

Valerie

Cover do grupo The Zutons, que Amy gravou com Mark Ronson

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