'O Palhaço' leva o Brasil ao Oscar

Filme de Selton Mello entra na disputa pela estatueta de melhor estrangeiro

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h08

O Palhaço vai representar o Brasil na disputa para uma vaga entre filmes estrangeiros no Oscar 2013. A decisão foi tomada após três horas de reunião da comissão de seleção convocada pelo Ministério da Cultura, no Rio. Concorriam 16 longas e a decisão foi demorada, ao contrário do de anos anteriores. Em 2011, por exemplo, Tropa de Elite 2 foi unanimidade desde o início da discussão. Acabou não ficando entre os cinco finalistas escolhidos pela Academia de Hollywood. Desta vez, privilegiou-se a 'sensibilidade', disse a secretária do Audiovisual do MinC, Ana Paula Santana.

O produtor Flávio Tambellini, um dos oito integrantes do grupo, lembrou que "é uma novidade no cinema brasileiro um filme autoral de grande público". O que fez com que o segundo longa dirigido pelo ator Selton Mello chegasse à disputa com grandes chances de ser escolhido. As comoventes atuações de Selton e de Paulo José também o credenciaram.

Ainda surpreso, e se acostumando com a notícia, Selton declarou ao Estado: "O Palhaço é um filme luminoso. Causou grande encantamento no público brasileiro. Filme que oferece reflexão em uma estrutura simples, sem querer ser maior do que o tema pedia. E é na simplicidade dele que reside sua grandeza. Recebo com grande alegria a incumbência de representar meu País".

O diretor da Globo Filmes Carlos Eduardo Rodrigues, na comissão representando a Academia Brasileira de Cinema, acredita que não haja fórmulas para agradar aos eleitores da Academia. Mas O Palhaço "tem a alma brasileira, emociona, é corajoso, retrata bem o nosso espírito. Não é um filme frio, técnico. Foi feito com a pretensão de ser apenas um filme benfeito e acabou indo muito mais longe do que os produtores e o Selton imaginavam. Se a gente soubesse qual filme tem 'cara de Oscar', ganhava todo ano."

Também integraram a comissão a secretária do audiovisual do MinC, a cineasta Ana Luíza Azevedo, o jornalista José Geraldo Couto, o diretor de fotografia Lauro Escorel, o diplomata George Torquato Firmeza e o distribuidor André Sturm, que não pôde comparecer por estar fora do País e enviou suas preferências por e-mail.

A comissão é trocada todo ano para que os filmes selecionados não tenham sempre o mesmo perfil. Ana Paula Santana declarou que a avaliação este ano foi "mais aprofundada". "Ano passado, Tropa de Elite 2 era o fenômeno brasileiro de 12 milhões de espectadores. Era difícil justificar qualquer outro filme depois disso. Haveria um abalo sísmico. Ele se impôs naturalmente. Este ano foi mais difícil. Discutimos mais." A Secretaria do Audiovisual e o Ministério das Relações Exteriores vão sentar para discutir como será o suporte a ser dado ao longa para sua promoção nos Estados Unidos.

Lauro Escorel e Flávio Tambellini arriscaram dizer que esta é a primeira vez que um filme brasileiro que tem o mesmo diretor e ator protagonista (Selton) concorre a uma vaga no Oscar.

Vânia Catani, produtora de O Palhaço, declarou que ainda não tem planos para a campanha do filme ao Oscar. "Confesso que estamos todos muito surpresos, mas muito felizes e agradecidos. Hoje vamos comemorar. E amanhã, aí, sim, começamos a planejar. Tenha certeza de que vou fazer tudo que for possível para colocar nosso filme entre os finalistas." / COLABOROU FLAVIA GUERRA

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