O Oscar de Bollywood, um ano depois

Todo ano, na hora de avaliar o resultado do Oscar, a crítica faz seus prognósticos de tendências. Este ano, tivemos o confronto entre Guerra ao Terror e Avatar, entre a pequena produção independente de Kathryn Bigelow, e o bilionário exemplar do cinemão assinado pelo ex-marido dela, James Cameron. A vitória de Kathryn fez muita gente sonhar. Por uma vez, o cinema de autor derrotou o cinemão na Academia de Hollywood. Será? Pois Cameron, com seu super-orçamento - e também a superbilheteria - não é menos "autor" do que sua ex. Certos críticos é que têm dificuldade para reconhecê-lo como tal.

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2010 | 00h00

No ano passado, a tendência era outra. Como o próprio Steven Spielberg foi entregar o Oscar de melhor filme para Quem Quer Ser Um Milionário?, muita gente interpretou o fato como a aliança de Hollywood com Bollywood para enfrentar a evasão de público dos cinemas e a pirataria. Um ano depois, Hollywood e Bollywood continuam galáxias distantes, mas o raciocínio valeu por um momento e ganhou destaque na mídia mundial.

Quem Quer Ser Um Milionário? está de volta hoje no Telecine Pipoca, às 22 horas. O filme é uma fantasia sobre dois irmãos que saem da favela em Mumbay. Metaforicamente, no começo, um dos garotos cai na fossa, na m... Ele será o milionário do título, ao participar de um programa de TV. Mas não o faz pelo dinheiro, e sim por amor. O irmão, que virou seu inimigo, será aquele a salvá-lo e permitir a realização do sonho. Danny Boyle começou fazendo filmes marcados pelo realismo social - Cova Rasa e Trainspotting - Sem Limites. A apoteose cantada e dançada do desfecho de Quem Quer Ser Um Milionário? vai na contramão daqueles filmes. Mas a história dos irmãos é marcada pela verdade dos sentimentos.

Meu Cachorro Skip

14H15 NO SBT

(My Dog Skip). EUA, 1999. Direção de Jay Russell, com Kevin Bacon, Diane Lane, Luke Wilson, Frankie Muniz.

O velho tema da criança que compensa suas carências ligando-se a animal ganha nova (e atraente) versão. Willie Morris contou em livro sua história, a de um garoto solitário no Mississippi, nos anos 1940. Seu melhor amigo, mais velho, vai para a guerra, o pai o hostiliza, a mãe tenta apoiá-lo (mas não tem muito tempo). O que ajuda é Skip, o fox terrier que vira companheiro inseparável do garoto. O bom elenco (Kevin Bacon, Diane Lane, Luke Wilson) soma pontos. Reprise, colorido, 92 min.

O Trapalhão e a Luz Azul

16H NA GLOBO

Brasil, 1999. Direção de Paulo Aragão e Alexandre Boury, com Renato Aragão, Dedé Santana, Adriana Esteves, Danielle Winits, André Segatti, Christine Fernandes.

Fantasia que se movimenta em dois planos, o da realidade e o do sonho, e na qual o herói, um astro do rock, recebe a missão de salvar reino ameaçado. Para isso, tem de seguir o homem das estrelas, que não é outro senão Didi, seu ajudante de palco. Os filmes de Renato Aragão não explodem mais na bilheteria como antigamente, mas ele ainda tem seu público fiel. Reprise, colorido, 95 min.

Mulher Nota 1000

22H NA REDE BRASIL

(Weird Science) EUA, 1985. Direção de John Hughes, com Anthony Michael Hall, Kelly LeBrock, Ilan Mitchell-Smith, Bill Paxton, Robert Downey Jr.

Dois adolescentes criam no computador a mulher de seus sonhos. Entra em cena Kelly LeBrock para realizar as fantasias dos teens. Comédia sem graça. O produtor e diretor Hughes não radicaliza a própria proposta e esvazia o que deveria ser o conteúdo erótico, de alta voltagem, da trama. Afinal, jovem só pensa naquilo... Dá para ver, e Anthony Michael Hall é bom, mas o resultado decepciona. O filme é bem bobinho. Reprise, colorido, 94 min.

Intercine

1H55 NA GLOBO

A emissora exibe o preferido do público entre - População 436, de Michelle Maxwell MacLaren, sobre a população de pequena cidade que se mantém no número do título há 100 anos; prepare-se para o sinistro segredo por trás do fato (EUA, 2006, fone 0800-70-9011); e Os Reis de Dogtown, de Catherine Hardwicke, com Heath Ledger, Emile Hirsch e Rebecca De Mornay, sobre garotos da Califórnia que, nos anos 1970, tiram o surfe do mar e o colocam nas ruas, sob a forma de skate.

Vendaval de Paixões

2H07 NA REDE BRASIL

(Reap the Wild Wind). EUA, 1942. Direção de Cecil B. De Mille, com Ray Milland, John Wayne, Paulette Goddard, Robert Preston, Raymond Massey, Susan Hayward, Charles Bickford, Hedda Hopper.

O lendário Cecil B. De Mille era detestado pelos críticos, mas fez história por seus filmes grandes, principalmente os épicos bíblicos, que ele impregnava de erotismo. Aqui, seguindo a trilha de ...E o Vento Levou, ele conta a história de uma bela sulista disputada por dois homens, no quadro de fundo da Flórida de 1840, onde a indomável Paulette Goddard mantém seu negócio de barcos, enfrentando intempéries e a ganância masculina. O elenco de nomes famosos ajuda a tornar o espetáculo divertido, mas é De Mille. Ele sacrificava tudo - a densidade, a construção dos personagens - por uma cena de efeito. Reprise, colorido, 123 min.

Amanhã

A Globo exibe amanhã, no Intercine, o preferido do público entre - Duas Vidas, Um Destino, de David Anspaugh, com Marlo Thomas, Ellen Muth, Peter Friedman, Karen Robinson e Troy Hall, sobre mulher divorciada, que luta para manter os dois filhos unidos e no bom caminho (EUA, 2002, fone 0800-70-9011); e A Última Festa de Solteiro, de Neal Israel, com Tom Hanks e Tawny Kitaen, sobre as trapalhadas em que noivo se envolve durante a festa arranjada por seus amigos, às vésperas do casamento (EUA, 1984, fone 0800-70-9012).

TV Paga

O Que Terá Acontecido a Baby Jane?

22 H NO TCM

What Ever Happened to Baby Jane?). EUA, 1962. Direção de Robert Aldrich, com Bette Davis, Joan Crawford, Victor Buono, Marjorie Bennett, Abnna Lee. Reprise, preto e branco, 132 min.

O filme que relançou o diretor Aldrich, numa época em que ele estava meio desacreditado na carreira, depois do impacto produzido por seus primeiros filmes, nos anos 1950. Bette Davis e Joan Crawford fazem irmãs, antigas garotas prodígio, que agora vivem num casarão sombrio. Joan está presa a uma cadeira de rodas. A irmã a hostiliza. Na verdade, as duas fazem de tudo para piorar a vida uma da outra. Aldrich reabre a vertente do gran guignol, o horror grotesco, e cria cenas de muito impacto. Mas o filme não teria obtido repercussão, se não fossem as atrizes. Bette e Joan, grandes estrelas, surpreenderam meio mundo com o espetáculo da degradação física de suas personagens. Algo estava se passando em Hollywood, e Aldrich e as duas participavam da mudança. Reprise, colorido, 92 min.

Quero Ser Grande

23H50 NO TELECINE CULT

(Big). EUA, 1988. Direção de Penny Marshall, com Tom Hanks, Elizabeth Perkins, John Heard, Robert Loggia, Mercedes Ruehl.

Não deixa de ser curioso que a Globo esteja colocando em votação, no Intercine de amanhã, uma comédia do início da carreira de Tom Hanks (A Última Festa de Solteiro). Aqui, quatro anos mais tarde, Hanks vive seu primeiro papel realmente emblemático. O filme conta a história de garoto de 12 anos que não aguenta mais ser mandado por todos. Ele faz o voto de acordar com 30 anos e o seu desejo se realiza. É impressionante como Hanks passa o estranhamento de permanecer uma criança no seu corpo de adulto. Só pelo ator, o filme já valeria ser (re)visto. Mas o humor é inteligente, a direção tem achados de brilho. Nesta seara da transmigração de corpos - que se constitui num gênero específico do cinema -, o cartaz do Telecine Cult é dos melhores. Reprise, colorido, 95 min.

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