O olhar da leitora em gramado

Jurada do Estadão na mostra gaúcha fala do figurino de sua preferência

Maria Alzira Marinho Garcia, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

O Quatrilho, 1994, de Fábio Barreto. Interior do Rio Grande do Sul, 1910. A trajetória de imigrantes italianos vem acompanhada por um figurino que espelha suas emoções. A simplicidade dos sentimentos se reflete na rusticidade das roupas de homens e mulheres que têm no trabalho sua missão.

O vestuário feminino permite observar o desenrolar da vida emocional das personagens. As cores claras acompanham o movimento interno de Teresa. Uma mulher alegre e sonhadora que se desaponta com o casamento, no qual seus desejos românticos são constantemente rechaçados. Neste relacionamento frustrante paira a questão: onde está o amor? Mesmo na vida dura do campo, onde o trabalho está acima de qualquer capricho, deve existir algo mais.

Pierina com suas roupas escuras retrata sua resignação, demonstrando aceitar o que acredita ser o destino de uma mulher. Sua função é o serviço da casa, a maternidade e o trabalho junto ao marido. Neste mundo não sobra espaço para devaneios e determinados assuntos só dizem respeito aos homens, responsáveis pelas decisões importantes.

Quando se desmonta este arranjo, surge para Pierina, como num flash, algo do feminino até então represado. Suas roupas adquirem tons mais alegres acompanhando esta nova face de mulher, dona de sua história.

A reunião de um novo casal com perfis similares traz o enriquecimento, que se traduz em uma forma mais sofisticada no vestir. Inclusive com a mudança para a cidade e a assunção de novos papéis perante a sociedade. O retrato da família é o marco destas conquistas onde cada um de seus membros aparece em seus melhores trajes.

A tonalidade suave que percorre todo o filme poderia se resumir na seguinte frase, dita por uma ou outra personagem: "Não temos tempo para grandes emoções. Aqui nossa preocupação é ganhar a vida. Mas não por isso, estamos destituídos de nossos momentos de intensa ternura."

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