O Obama e a Pippa

Obama pegou Osama. Numa única semana o Baraca respondeu aos críticos da direita que o acusavam de não ter nascido nos Estados Unidos, apresentando sua certidão de nascimento, e aos que o chamavam de frouxo no combate ao terrorismo, localizando e mandando matar o Bin Laden, que Bush tinha deixado escapar quando ele foi encurralado em Bora Bora. É verdade que quem não acreditava no Obama continua não acreditando. (Piada que corre: a certidão de nascimento não convenceu, agora querem ver a placenta). Na sua cobertura da morte de Bin Laden a rede Fox News quase não mencionou o presidente, preferindo destacar os méritos do governo Bush na sua perseguição. Mas as próximas pesquisas de opinião devem mostrar uma melhora na avaliação do Obama. Agora só falta a economia reagir ou a Michelle engravidar e a reeleição está garantida.

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2011 | 00h00

Casamento. Gente, e a Pippa? Todo o mundo prestando atenção na cauda da Kate e na fantasia de general de opereta do William e a verdadeira atração da festa era a irmã mais moça da noiva, Philippa, chamada Pippa. Ela só não foi mais importante do que a cauda porque a cauda tinha mensagem. Com a Inglaterra sofrendo sob as medidas de inédita austeridade impostas pelo governo conservador, a cauda foi encurtada um pouco para não parecer um acinte, mas não tanto que perdesse a imponência. Uma cauda longuíssima como a que Diana arrastou no seu casamento, em tempos melhores, destoaria dos sacrifícios que a nação é obrigada a fazer. Como estava, estava de bom tamanho. De bom tamanho também estava a Pippa, menos bonita do que a irmã mas mais interessante, e mais, como direi, rechonchuda. Grande palavra que, como se sabe, não quer dizer gorda e sim saliente nos lugares certos. O príncipe Phillip está meio apagadão. Não é verdade que tenha acordado no meio da cerimônia e perguntado quem era o louco que estava se casando. Já a rainha parece cada vez mais encantada com seus próprios chapéus. Pode-se imaginar que seu prazer de reinar hoje se resume no prazer de usar chapéus. O que explicaria sua relutância em renunciar em favor do Charles. Como renunciar aos chapéus? E Charles continua sendo a inutilidade mais cara do mundo.

Inevitável. (Da série Poesia numa Hora Dessas?!)

Assim tem sido através dos tempos

e em qualquer era:

o imprevisto sempre acontece

quando menos se espera.

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