Andrea de Silva/Reuters
Andrea de Silva/Reuters

O novo soul híbrido de Corinne

Cantora inglesa que conquistou o mundo com Put Your Records On faz hoje primeiro show no País

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2010 | 00h00

Em 2006, todo mundo se perguntava quem era aquela garota de bicicleta no meio de um campo florido cantando em um onda oposta à das gritalistas do R&B. Quem era, naquele vídeo da música Put Your Records On, a garota cuja voz parecia uma lufada de vento caliente num momento dominado por dançarinas sadomasoquistas?

Quatro anos depois, após quatro indicações ao Grammy e 4 milhões de cópias vendidas, agora com 31 anos, a britânica Corinne Bailey-Rae chega finalmente ao Brasil. Canta hoje em São Paulo, no Via Funchal. O balanço soul continua o mesmo, suave, premonitório. Mas o tempo das bicicletas & flores passou: Corinne soa mais sombria agora, e também mais nervosa, elétrica. Houve razões para a mudança: há dois anos, o marido de Corinne, Jason Rae, morreu de uma overdose acidental de metadona, cocaína e ecstasy. Viúva, ela teve de purgar sua dor em público.

Em janeiro deste ano, o resultado de sua travessia pessoal saiu em disco: The Sea, um álbum mais denso, tingido com cores escuras, mas igualmente terno. O álbum é dedicado ao avô materno, que morreu também tragicamente, num acidente de barco. "Todo meu trabalho se resume em capturar aquilo que eu sinto, minhas aspirações. Não fiz o meu primeiro álbum para vender tantos discos. Minha busca é sempre como dizer, o que consigo dizer", disse Corinne, falando ao Estado por telefone, de Londres. Sua especificidade como cantora teve muitos reconhecimentos, mas um deles foi especial: o cantor Al Green a convidou para gravar consigo no seu álbum. "Foi incrível. Eu amo as canções dele, aquela voz linda, em canções como Let"s Stay Together. Ter tido a habilidade de acompanhar um artista como ele como convidada, e não como uma colaboradora, foi algo emocionante", conta a cantora.

The Sea, o novo lote de canções de Corinne, passeia brevemente pelo eletrônico e até pelo hip-hop. Ela concorda que pode parecer "mais difícil" para alguns fãs, mas a opção pela versatilidade foi deliberada. "Às vezes, é bom sacudir as pessoas, chorar, gritar. Como artista, acho fundamental me relacionar com outras áreas, como a eletrônica, e fugir aos rótulos. Música é a expressão da liberdade."

Colaborações com luminares do pop e do rock, como Quincy Jones, Stevie Wonder e Arctic Monkeys, modulações vocais que às vezes evocam Prince, noutras Curtis Mayfield: Corinne Bailey Rae está em um novo território. Sua banda tem piano, órgão, guitarra, baixo - o que inclui Jenny, uma ex-colega da primeira banda que teve na Inglaterra, de hard rock, chamada Helen. Corinne nasceu em Leeds, em 1979, filha de mãe branca de Yorkshire e pai negro caribenho. Cresceu num ambiente rocker, mas também teve influência jazzística. "Ouço os discos de Tom Jobim e acho tão lindo. É uma obra clássica, tudo se tornou imediatamente reconhecível. É uma alegria cantar na terra dele."

CORINNE BAILEY RAE

Via Funchal. Rua Funchal, 65, V. Olímpia, tel. 3846-2300. Hoje, 21h30.

R$ 150/R$ 600.

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