O novo Homem-Aranha

O jovem ator Andrew Garfield enfrenta as consequências da fama repentina, após viver Peter Parker na quarta adaptação do personagem para a telona

IAN SPELLING , THE NEW YORK TIMES , O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2012 | 03h08

O rosto de Andrew Garfield está nos cartazes espalhados pelas cidades, nos ônibus e no metrô do mundo todo. E também nas imagens de ação, em videogames e nas caixas de cereal. Na realidade, o jovem de 28 anos que representa o super-herói adolescente americano por excelência na megaprodução que estreia na sexta no Brasil, O Espetacular Homem-Aranha, está em toda parte.

Mas num bate-papo num hotel da moda de Nova York, o ator discorda e conta: "Sabe de uma coisa? Não vi nada de tudo isso porque estava fazendo Morte de Um Caixeiro Viajante na Broadway. Fiquei envolvido no trabalho, graças a Deus, porque se ficar preocupado com tudo o que acontece acabo enlouquecendo. Mas vou falar para você, é o Homem-Aranha que está nas caixas de cereal, não sou eu. É a máscara, não sou eu. A alma do personagem é a máscara, e é isso que as crianças adoram." E adianta: "Elas não pensam: 'É Andrew Garfield!' Elas pensam: 'É o Homem-Aranha!'"

Mas a realidade é que o filme elevou Garfield ao estrelato. Ele já tinha feito Boy A (2007), O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (2009) e Never Let Me Go (2010) quando sua atuação começou a ser notada ao interpretar Eduardo Saverin na Rede Social (2010). Então ele conseguiu o cobiçado papel de Peter Parker/Homem-Aranha em O Espetacular Homem-Aranha e, durante a produção, engatou um romance com Emma Stone, a atriz principal do filme, que faz o papel de Gwen Stacy.

Mas embora seja verdade que as crianças não gritam "Andrew Garfield!" - o que pode mudar após o filme entrar em cartaz -, há quem grite "Andrew Garfield!" com frequência: os paparazzi. Interpretar Peter Parker acabou com seu anonimato. "É horrível", diz Garfield. "A perda da privacidade foi a única coisa que me fez querer recusar o papel. Mas não posso me queixar. Sabia que poderia acontecer."

"Recentemente, estive aqui em Nova York com meu sobrinho, e resolvi falar com estes caras. Antes de sair, disse a eles: 'Pessoal, eu entendo, vocês estão fazendo o seu trabalho. Talvez tenham filhos em casa. Isto não significa que concordo com o trabalho de vocês. Acho que seria mais nobre se trabalhassem no McDonald's, mas esta é apenas a minha opinião...' Era um pedido para que não tirassem fotos do meu sobrinho."

E os paparazzi atenderam? "Sim, foram muito decentes." Ficou surpreso? "Não. Se você trata as pessoas com respeito e compreensão, elas atendem."

O Homem-Aranha já percorreu um longo caminho. O personagem foi apresentado pela primeira vez há 50 anos, na série de histórias em quadrinhos da Marvel criada por Stan Lee e Steve Ditko. O Espetacular Homem-Aranha, a quarta adaptação do personagem para o cinema, sai cinco anos depois do último filme na trilogia dirigida por Sam Raimi, que foi interpretado por Tobey Maguire.

Considerando que três filmes anteriores ganharam US$ 2,5 bilhões de bilheteria em todo o globo, em Hollywood os olhos de todos agora estão voltados para o jovem ator e o diretor inexperiente Marc Webb. O novo trabalho vai mais fundo na história de Peter Parker. Ele ficou órfão quando menino; perdeu o pai, um famoso cientista, e a mãe em um acidente de avião. Mesmo agora, adolescente, apesar de ter sido criado pelos adorados Tio Ben (Martin Sheen) e Tia May (Sally Field), Peter ainda se sente sozinho no mundo.

Então, de repente, tudo muda. Um dia Peter encontra a maleta do pai, repleta de informações, e logo descobre o amigo dele, Curt Connors (Rhys Ifans), um cientista bem-intencionado, com um braço só, cuja obsessão é descobrir o segredo da regeneração dos membros dos répteis para experimentá-la em si mesmo, e se transforma no ser mortífero, metade homem/metade réptil, conhecido como Lagarto.

Antes disso, Peter visita o laboratório de Connors e é mordido pela aranha radioativa que o transforma no Homem-Aranha que combate o crime. Peter se apaixona por sua colega de classe, Gwen, o que prepara o terreno para 136 minutos de amor e sofrimento, vilões e super-homens, beijos e explosões.

Garfield tinha apenas 3 anos quando vestiu sua primeira roupa do herói e conta que cresceu amando os quadrinhos e os desenhos da TV. Talvez as pessoas esperem um super-herói musculoso: o Homem-Aranha não é nada disso. A arte original de Ditko mostrou Peter Parker como um nerd magricela de óculos e o Homem-Aranha como um nerd magricela. Com as bênçãos do diretor Marc Webb, Garfield adotou o mesmo conceito. Trabalhou muito para adequar o seu físico ao do personagem, mas não quis ter uma musculatura que não era a dele. "Sempre havia quem dizia que eu deveria engordar, mas aí eu falava: 'O Homem-Aranha é assim.' Eu me sentia intimidado, mas, para mim, o que está na tela está perfeito."

O que está bem perto da perfeição é também a química entre Garfield e Emma Stone. As cenas entre os dois são carinhosas, engraçadas ou trágicas, dependendo do momento. Ele não quer falar do romance na vida real e acha exagerado o termo "química", mas se exalta quando se refere à atriz. "Eu a admiro e respeito como atriz, e fiquei muito feliz por trabalhar com ela. Foi pura alegria e diversão."

Garfield terminou sua temporada de triunfo em Morte do Caixeiro Viajante, que lhe valeu uma indicação para o Tony, no início do mês, e partiu imediatamente para uma turnê promocional internacional de O Espetacular Homem-Aranha. A continuação do filme, que ainda não tem nome definitivo, já foi escrita e a produção começará daqui a um ano. A data do lançamento já foi fechada: 2 de maio de 2014.

Garfield não sabe ao certo em que outros projetos será encaixado antes de fazer a continuação. "Não desejo nenhuma outra coisa. Tenho sorte de estar no ponto em que estou." / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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