Jason Decrow/ AP
Jason Decrow/ AP

O novo best-seller de Dan Brown

Chega hoje às livrarias brasileiras 'Inferno', a mais recente trama do criador de 'O Código Da Vinci' e 'Anjos e Demônios'

MATEO SANCHO CARDIEL, EFE / NOVA YORK,

20 Maio 2013 | 02h08

Desde que O Código da Vinci se converteu no romance mais vendido da História, Dan Brown criou seus próprios códigos. Religião e arte tornam a se encontrar sob o olhar ousado de Robert Langdon em Inferno (Arqueiro), que chega hoje às livrarias brasileiras com uma primeira edição na versão de papel de 500 mil exemplares. Mas o autor reivindica a compatibilidade entre complexidade e best-seller.

"Não há nada mais difícil do que escrever um livro fácil de ler", assegurou Brown. "Ao contrário, é muito fácil escrever um livro difícil de ler. O truque para que as páginas voem tem muito a ver com ensinar algo novo em cada página", acrescentou.

Brown, especialista em tecer tramas que não deixam o leitor respirar, escrutina desta vez a matemática e a estrutura complexa da obra magna de Dante Alighieri, A Divina Comédia, e toma de sua primeira parte (reservando-se O Purgatório e O Paraíso) a inspiração para passear e reinterpretar as ruas de Florença, onde desperta amnésico seu personagem fetiche: o catedrático de Simbologia da Universidade Harvard, Robert Langdon.

Intrigas de poder que unem as corrupções do século 14 com as do 21 surgem deste Inferno. Brown leu Dante na adolescência, mas só descobriu há pouco a influência definitiva que teve na modernidade o passeio de Virgílio pelos nove círculos que conduzem ao reino de Satanás.

Foi aí que decidiu investigar o que seu alter ego Langdon poderia encontrar ali, ao ver tão claramente reunidos todos os elementos de sua equação mágica: arte, religião e conspiração.

"A arte imita a vida e a vida imita a arte. A arte funciona como um reflexo do que realmente estamos pensando e, em muitos casos, a religião funciona da mesma maneira. É um reflexo de perguntas aos que continuamos pedindo respostas", refletiu Brown.

As respostas a essas perguntas são a especialidade de Langdon, que volta às andanças pela quarta vez neste livro.

Depois de convencer com sua análise de A Última Ceia, de Leonardo Da Vinci, o número recorde de 81 milhões de leitores, de debutar em Anjos e Demônios e manter o nível em O Símbolo Perdido, Brown chega ainda mais audacioso a esta trama mefistofélica.

"Esse personagem me encanta, têm cada vez mais inteligência e melhor entendimento do mundo que o rodeia. Além disso, creio que os leitores gostam de reencontrar personagens que já conhecem. Não tenho medo de me enquadrar", explicou Brown.

Ao acordar de um pesadelo, Langdon percebe estar em um hospital. Ao olhar pela janela,descobre-se em Florença, sem saber como deixou os EUA e o que provocou o ferimento em sua cabeça. Quando um novo atentado à sua vida acontece no hospital, ele é obrigado a fugir.

Convertido em milionário (com seu êxito atual, editou obras do passado como A Fortaleza Digital e A Conspiração), Brown não tem a crítica do seu lado, mas isso não o preocupa tampouco. "Escrevo o livro que eu gostaria de ler", diz, entre risos.

E com a rentabilidade comercial das adaptações cinematográficas de O Código da Vinci e Anjos e Demônios, dirigidas por Ron Howard e protagonizadas por Tom Hanks, ele espera que Inferno se traduza na terceiro filme baseado em sua obra.

"Estou seguro de que haverá um filme de Inferno. Esses livros são muito cinematográficos e neles sucedem coisas que se desenvolvem em cenários espetaculares que funcionam muito bem no cinema", confia.

A esta altura, Brown já tem aura de estrela de Hollywood. Para a promoção de Inferno, ele concede as entrevistas sem entrar em contato com o jornalista, mas lhe enviando as repostas às suas perguntas em um vídeo pela internet. Ele tampouco adianta os livros aos meios de comunicação.

Mas Brown fica encantado de falar no espanhol que aprendeu em Sevilha, quando ainda não era um escritor célebre e tentava triunfar no mundo da música./ TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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