O novo alvo do jacaré

Modelos criados especialmente para as mulheres são o desafio da Lacoste

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2012 | 03h08

Que a Lacoste não é mais só a grife do jacarezinho, das polos e dos tenistas, até quem não é especialista em moda já sabe. A grife fundada em 1933 pelo tenista René Lacoste vem se modernizando ao longo da última década e conquistando novos fãs. Mas, que um vestido tubinho de listas de georgette de seda e supercolorido pode ser também um Lacoste e que, contrariando a tradição, a marca está sob o comando de um estilista que não é francês, só os mais antenados sabem.

A partir de junho, quando a nova coleção (desfilada na New York Fashion Week em fevereiro) chegar às lojas do País, os brasileiros também vão descobrir que nem todo vestido da grife se parece com uma camisa polo redesenhada. E, mais que o tradicional piquê, há vários tecidos que tornam novos vestidos em peças sexies. "É verdade que um vestido inspirado em uma camisa polo não é a coisa mais excitante do mundo. Este era o desafio desta coleção: inovar e manter, ao mesmo tempo, a identidade da marca", contou o responsável por esta 'moda híbrida' que tomou conta da Lacoste.

O nome dele é Felipe Oliveira Baptista. Português de Lisboa, estudou em Londres, passou por grandes marcas como Cerruti, Max Mara e também pelo ateliê de Lemaire; tem uma grife 'de nicho' que leva seu nome e assumiu o comando da direção criativa da marca no fim de 2010, substituindo Christophe Lemaire (que foi para a Hermès).

A coleção que mostrou em São Paulo, semana passada, na Zipper Galeria é sua primeira para a grife francesa. Além da sofisticação que a Lacoste tanto buscou nos últimos anos, Felipe trouxe um ingrediente importante que andava em alta nas prateleiras das lojas da marca: a feminilidade.

Como apenas 17% dos clientes da grife são mulheres, os diretores da Lacoste buscam valorizar as coleções femininas. Para isso, é estratégico criar peças pensadas para a mulher e não 'híbridos' adaptados das clássicas masculinas. "Claro que a mulher gosta de usar um vestidinho polo chemise, uma polo repaginada, roupas confortáveis. Mas é outra sensação quando veste uma peça pensada para ela. É isso que esta coleção traz", explicou o estilista ao Estado na quarta-feira.

Felipe tanto responde quanto faz perguntas. Frequentador do Brasil muito antes de o País ser 'a bola da vez', ele quer saber por que tudo é tão caro por aqui. "Não podem ser só taxas. Aliás, se os impostos são de fato o que mais encarece a entrada de produtos de moda no Brasil, o governo devia pensar em como tais mudanças seriam úteis", comenta ele que, de moda brasileira, conhece pouco, mas aprecia o trabalho de Pedro Lourenço, Alexandre Herchcovitch e Osklen.

Com seu olhar cosmopolita, de quem viaja sempre, da Ásia à Europa e já morou na Itália e em Londres, Felipe adora dialogar com o público brasileiro. "Venho para cá há quatro anos, a trabalho e em férias. Gosto de tudo. Até mesmo de São Paulo. Gosto do grafite, do lado selva urbana da cidade. Adoro metrópoles", conta ele, para quem o brasileiro tem adquirido cada vez mais a cultura de moda. "É um povo despojado em relação ao corpo. Sabe valorizar moda híbrida e relaxada."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.