O novo a partir do passado

O mais velho do time de intérpretes que agora se debruça sobre a obra pianística de Beethoven é o francês Jean-Efflam Bavouzet, que completa 50 anos em 2012. Ele encantou o público que o assistiu em recital na Sala São Paulo dois anos atrás. Tem gosto por registros integrais. Gravou para a Chandos, por exemplo, a integral da obra pianística de Claude Debussy em cinco discos; está com uma monumental integral Haydn em curso; e agora lança um álbum triplo, abrindo uma integral Beethoven em ordem cronológica. Lá estão as sonatas n.º 4 e n.º7, que interpretou de modo magnífico no recital paulistano de 2010.

O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h10

Mas, como é preciso ir além do comum, diferenciar-se mercadologicamente, Bavouzet dá um bônus respeitabilíssimo de 5 minutos no terceiro disco: faz um Finale prestíssimo alternativo, mais longo, da Sonata Op. 10 n.º 1. O pianista explica no texto do folheto interno do álbum: "O professor William Drabkin (musicólogo especialista em Beethoven) reconstruiu para mim o desenvolvimento (o desenvolvimento acontece, na forma-sonata, depois da exposição dos dois temas contrastantes) do terceiro movimento da sonata, baseado em esboços de Beethoven que contêm apenas uma voz. Como todos os compassos estão preenchidos, sabemos o tamanho exato deste desenvolvimento. Isso nos faz perceber como Beethoven chegou ao conceito das sonatas em três movimentos, porque ela não foi pensada originalmente em três movimentos, mas em quatro".

Ele gravou então a versão com desenvolvimento mais longo e também o movimento extra. "Assim", diz Bavouzet, "as pessoas poderão constatar como o compositor reduziu e concentrou a obra em três movimentos. Tenho de admitir que se trata de uma suposição, mas faz todo sentido." / J.M.C.

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