"O Nome" flagra vazio afetivo de uma família

A atriz Denise Weinberg aprofundava seus estudos sobre o realismo no teatro quando, no final do ano passado, recebeu um oportuno convite: dirigir os alunos do Núcleo Experimental do Sesi na peça O Nome, do norueguês Jon Fosse. "Foi uma feliz coincidência, pois Fosse é um grande dramaturgo contemporâneo e, em seu país, chega a ser comparado a Ibsen, pai do teatro moderno", comenta Denise. O Nome estréia hoje, para convidados, no Teatro do Sesi e amanhã para o público. Trata-se, como define a diretora, de um recorte da amargurada rotina vivida por uma família de classe média - grávida e sem alternativas, uma das filhas volta para casa, levando junto o pai do bebê. Durante quase duas horas, os membros dessa família revelam sua incapacidade para lidar com a novidade, comprovando serem pessoas soterradas em frustrações e solidão. "É um duro retrato do vazio afetivo que domina muitas famílias da atualidade", afirma Denise, que se surpreendeu com o texto de Fosse. "A peça de Fosse é um exemplo de dramaturgia sofisticada que poucos (ou nenhum) produtores arriscam bancar." É tão radical que a própria diretora se deparou com novidades, como um texto quase sem marcações e que não fala do problema sociológico da incapacidade humana de comunicação mas da incomunicabilidade da essência humana. "Os personagens não têm futuro e essa falta de perspectiva é bem marcada pelas pausas, pelos silêncios", afirma. "E o título da peça inspira-se em um preceito de Schopenhauer, que dizia ser nosso só aquilo a que damos um nome; no caso, é a criança que vai nascer." Nas sessões de quintas e sextas-feiras, direcionadas para escolas, Denise pretende promover debates com os alunos antes e depois da sessão. "Antes, para apresentar o texto que eles vão assistir, que não é de fácil apreensão; e, depois, para descobrir o que eles entenderam, pois, como se trata de um tema universal, pois todo mundo tem família, o texto de Fosse atinge qualquer idade."O Nome - De Jon Fosse. Tradução Alexandre Tenório. Direção Denise Weinberg. De quinta a sábado, às 20 horas. Grátis (retirar convites com uma hora de antecedência). Mezanino do Centro Cultural Fiesp. Avenida Paulisra, 1.313, tel.: 3146-7405. Até 13/6. Hoje, somente para convidados

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