Pixabay
Pixabay

O mundo vive uma epidemia de 'coaches': cuidado!

Quantidade de gente oferecendo soluções mágicas na internet para tudo o que é tema se multiplicou

Luciana Garbin, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2022 | 03h00

"O que você nota de diferente quando olha para pessoas de extremo sucesso? Quando olha para mim por exemplo?”. Com essa frase começava mais um anúncio de coach entre tantos que têm interrompido os vídeos que tento ver ultimamente no YouTube. A praga dos mentores, conselheiros e terapeutas alternativos oferecendo todo tipo de serviço na internet não nasceu agora, mas proliferou assustadoramente na pandemia. 

De olho nas dificuldades e angústias alheias e turbinada pela sensação das redes de que o outro é sempre mais bonito e legal, a quantidade de gente oferecendo soluções mágicas para saúde, carreira, relacionamentos, autoestima e seja lá o que for se multiplicou. 

Propostas vão de “como fazer um homem pensar em você toda noite” a “como ficar rico acordando mais cedo”. E o caminho do sucesso passa geralmente por atalhos parecidos. Como foco (“Problema não é sua educação ruim, é sua falta de objetivo”), motivação (“Obstáculo só existe na sua cabeça”) e gratidão (“Seja grato e o universo te retribuirá”). 

Nada contra autoajuda ou pensamento positivo. Nem sequer ao coaching profissional, que oferece ferramentas já testadas no ambiente corporativo. O problema é quando charlatães de formação contestável vendem “técnicas poderosíssimas” para todos os aspectos da vida em cursos, vivências, workshops e mentorias. 

Independentemente do tema, há sempre uma “metodologia revolucionária que já ajudou milhares de pessoas no Brasil e no exterior”. Inclusive o próprio coach, que após “ter a vida transformada” resolveu compartilhar a fórmula do milagre em conteúdos “100% gratuitos”, que servem na verdade como iscas para outros serviços – pagos e caros. 

Como fazer o namoro vingar? Como descobrir doenças crônicas massageando o corpo? Como sair das dívidas e faturar R$ 50 mil por mês? Como ignorar quem te rejeita? 

Ofertas sedutoras? Só que não. No final, o que os gurus digitais fazem é se aproveitar da fantasia de que é possível comprar a solução de todos os problemas e necessidades desta louca vida atual, tão cheia de exigências e opções. Mas a responsabilidade no final será sempre do cliente. Quando o curso não salvar o casamento nem eliminar dívidas ou quilos extras, a pessoa é que terá feito tudo errado e desrespeitado as lições. Ou simplesmente “não nasceu para vencer”. E o coach continuará vendendo seus serviços na internet a mais alguém sedento por respostas rápidas e disposto a transferir a terceiros a responsabilidade por suas escolhas e ações.

Tudo o que sabemos sobre:
coaching

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.