O Mundo de Oskar

Após incêndio em sua fábrica, estilista fala da mostra sobre a recente coleção e das novas lojas no exterior

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

Em 4 de fevereiro deste ano, o twitter da grife Osklen anunciava: "Nossas instalações foram parcialmente atingidas por um incêndio, mas já está tudo sob controle!"

As instalações eram da fábrica em São Cristóvão, zona norte no Rio. O fogo, que avançou por todo o segundo andar, consumiu não só computadores e móveis como todo o acervo da marca brasileira criada pelo médico Oskar Metsavaht em 1988.

Ele esquiava com a família em Aspen e só chegou ao Brasil depois de quase toda a memória de duas décadas de trabalho ter sido derretida. Ao se deparar com as cinzas pela primeira vez, em vez de se desesperar, disse: "Foi bom. Recomeçamos tudo, oras. Muita coisa precisava mesmo ser limpa."

Hoje, quase três meses depois, em uma metáfora óbvia, mas a calhar, Oskar e equipe parecem renascer das cinzas. Na verdade, é como se as cinzas nunca tivessem de fato existido. Para "comemorar" o incidente, a grife alça voos cada vez mais altos mundo afora. A Osklen acaba de abrir uma loja em Miami, abrirá uma segunda em Tóquio, festeja o status de ser uma das grifes brasileiras de maior projeção no mercado internacional e ainda organiza mostra na Casa França Brasil, no Rio, sobre sua coleção outono/inverno 2010.

Em uma tarde de outono ensolarado carioca, o Estado visitou o OM.ART, ateliê de design que Oskar criou em Ipanema, percorreu o QG em São Cristóvão e visitou o que restou do galpão. Para completar, acompanhou o trabalho de Oskar para a coleção outono/inverno 2010 que chega em breve às lojas. Entre uma revisão de um look, ajustes em vestidos, um passeio pela fábrica e um papo sobre a moda brasileira, era possível entender o otimismo do estilista. "Cada vez mais a Osklen consegue se comunicar com o público internacional. E o Brasil também. Passamos por um momento incrível. O mundo está de olho em nós. Temos de saber nos posicionar no exterior."

E o saldo da destruição? "Além do valor material, pois não tínhamos seguro, o memorial foi imenso. Mas quer saber? Foi como se tirasse um peso, como se uma revisão que havia tempos eu estava para realizar fosse feita num piscar de olhos", garante Oskar.

Um palpite sobre o tema da próxima coleção outono/inverno 2011? "O incêndio, claro."

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