O mosqueteiro caolho que virou ídolo de Scorsese

Dez da noite no TCM - o canal de clássicos resgata um filme que o próprio Martin Scorsese gostaria de (re)ver. Museu de Cera, de Andre De Toth, com Vincent Price, foi uma das obras que serviram como referência para o diretor de Ilha do Medo (em cartaz nos cinemas). Em Berlim, Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo apontaram para o repórter do Estado o filme de De Toth como uma das obras que Scorsese passou para a equipe, na fase dos preparativos para Ilha.

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2010 | 00h00

Alguns filmes Scorsese mostrava pela interpretação, ou pelo diálogo. Museu de Cera foi pelo clima. Para o espectador que assistir hoje ao filme, pela primeira vez, será um programa inusitado. Produzido em 1953, como integrante da leva de filmes em terceira dimensão com que Hollywood tentou combater a ameaça da TV - face à nova mídia, o cinemão experimentou vários formatos: 3-D, cinemascope, cinerama, etc. -, Museu de Cera chegou à maioria das telas em 2-D. Volta e meia algum objeto voa em direção ao espectador.

A história é sobre este homem, dono de um museu de cera, que rouba cadáveres do necrotério para transformá-los em atrações exclusivas de sua casa. Não demora muito e o enlouquecido protagonista começa a matar. Vincent Price ainda demoraria alguns anos para iniciar a série de adaptações de Edgar Allan Poe com Roger Corman, mas sua presença já era suficientemente sinistra para perturbar o espectador. Phyllis Kirk, Carolyn Jones um certo Charles Buchinski estão no elenco - este último não é outro senão Charles Bronson.

O húngaro De Toth chegou a Hollywood fugindo do nazismo. Considerado grande em seu país, ele se deu muito bem no cinema de ação. Westerns, thrillers, espionagem, terror - frequentou todos os gêneros, e bem. A curiosidade é que tinha um só olho. Com John Ford, Raoul Walsh e Fritz Lang, tornou-se o quarto mosqueteiro caolho do cinemão.

Greystoke - A Lenda de Tarzan

14H15 NO SBT

(Greystoke: The Legend of Tarzan, Lord of the Apes). EUA, 1984. Direção de Hugh Hudson, com Christopher Lambert, Andie MacDowell, Ian Holm, Ralph Richardson, James Fox.

O cinema contou muitas vezes a história do homem-macaco criado pelo escritor Edgar Rice Burroughs, mas, em geral, eram aventuras em que só interessava o caráter exótico da ação na selva. O inglês Hudson, de Carruagens de Fogo, foi o primeiro a buscar outra coisa. O Tarzan dele é o "garoto selvagem" de François Truffaut, mas, em vez de lobos, ele é criado por macacos. De volta à civilização, ele será sempre um sujeito deslocado, fora do seu mundo. Christopher Lambert é perfeito no papel, nunca houve Jane mais bela que Andie MacDowell, mas é Ralph Richardson, como o velho Lorde Greystoke, quem rouba a cena. Poucos filmes trataram de forma tão intensa (e dolorosa) do conflito entre instinto e cultura repressora. Veja como drama e será um belíssimo programa. Reprise, colorido, 132 min.

Aladdin

15H45 NA GLOBO

(Aladdin). EUA, 1992. Direção de Ron Clements e John Musker.

Antes de fazerem A Princesa e o Sapo, sobre a primeira princesa negra da Disney (que acaba de sair em DVD), Ron Clemens e John Musker criaram esta animação com o herói das 1001 Noites. Trata-se de uma animação um tanto tradicional, mas muito bem feita e que logra seus melhores momentos quando o Gênio está presente, bagunçando tudo. O personagem não só fala com a voz de Robin Williams no original. O ator serviu de modelo para Clemens & Musker. Oscar de trilha (Alan Menken) e canção (A Whole New World). Reprise, colorido, 90 min.

Tempestade de Gelo

22H NA REDE BRASIL

(The Ice Storm). EUA, 1997. Direção de Ang Lee, com Kevin Kline, Joan Allen, Sigourney Weaver, Christina Ricci, Elijah Wood, Henry Czerny, Tobey Maguire, Larry Pine, Katie Holmes.

Adaptação do elogiado (e premiado) romance de Rick Moody sobre tempestade de gelo que, em 1973, paralisou as atividades em New Canaan, Connecticutt. Na versão ficcional, primeiro no livro e, aqui, no cinema, as pessoas presas numa casa entregam-se a jogos de sexo, incluindo suinge. Como todo filme do diretor Ang Lee, este trata de mudanças comportamentais, do choque entre razão e sensibilidade e da repressão sexual. Como os adultos, em geral casados e insatisfeitos, lidam com sua sexualidade e como os jovens se refletem neles. Leonard Maltin faz observação curiosa em seu guia, de que é um filme que se pode admirar, sem gostar dele, de fato. O que o incomodou tanto? Certo cinismo, talvez. Não é o melhor Lee, mas é forte. Inédito, colorido, 108 min.

Tenacious D: Uma Dupla Infernal

22H15 NO SBT

(Tenacious D in the Pich). EUA, 2005. Direção de Liam Lynch, com Jack Black, Kyle Gass, Jr. Reed, Troy Gentile.

Jack Black e Kyle Gass resolvem formar a maior banda de rock do mundo, com apenas dois integrantes - eles. O tom é de comédia, e o humor de Black não é para todos os gostos. Quem gosta dele vai se divertir. Reprise, colorido, 95 min.

Sábado

22H30 NA TV BRASIL

Brasil, 1994. Direção de Ugo Giorgetti, com Maria Padilha, Otávio Augusto, Tom Zé, Giulia Gam, André Abujamra, Gianni Ratto, Décio Pignatari, Renato Consorte, Jô Soares, Elias Andreato.

O mais minimalista dos diretores paulistanos - e brasileiros - não precisa mais do que de um prédio decadente (e de um elevador, na realidade) para construir sua metáfora sobre as tensões sociais no País e as desigualdades entre os que se creem no 1º Mundo e os que vivem no 3º. Uma equipe ocupa prédio do Centro de São Paulo para filmar comercial. Quatro pessoas e um cadáver ficam presos no elevador. Instala-se o caos. Giorgetti filma sem firulas, valoriza o diálogo enxuto e os atores. Seu trabalho é dos que - sempre - merecem revisão. Reprise, colorido, 85 min.

Amaldiçoados

23H20 NA GLOBO

(Cursed). EUA, 2005. Direção de Wes Craven, com Christina Ricci, Joshua Jackson, Jesse Eisenberg, Judy Greer, Scott Baio, Milo Ventimiglia.

Criadores da série Pânico, o diretor Craven e o roteirista Kevin Williamson contam aqui a história de trio perseguido por lobisomem, numa noite de lua cheia em Los Angeles. É o segundo filme de Christina Ricci que passa hoje na TV aberta - ela também está em Tempestade de Gelo. Veja, mas o terror aqui é sério, não humorado como em Pânico. Reprise, colorido, 96 min.

Nossos Rios

23H30 NA CULTURA

Brasil, 1998. Direção Mario Kuperman.

Escritor e cineasta, Mário Kuperman volta e meia dá sua contribuição à discussão sobre temas relevantes. Nossos Rios integra uma série sobre a malha fluvial. A importância dos rios na formação do Brasil, a sua degeneração por meio da poluição, etc. Diretor sério, programa idem. Reprise, colorido, 89 min.

Correr ou Morrer

2H25 NA REDE BRASIL

(Too Fast Too Young). EUA, 1995. Direção Tim Everitt, com Michael Ironside, Katarzyna Figura, James Wellington.

Fugitivo da cadeia esconde-se na casa de primo, que o incita à violência e, depois, o trai. Começa a caçada humana. Ação sem grandes credenciais de direção nem elenco. Reprise, colorido, 93 min.

Intercine

3H05 NA GLOBO

A emissora exibe o preferido do público entre - O Predador, de John McTiernan, com Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Elpidia Carrillo, Bill Duke e Sonny Landham, primeiro da série sobre o alienígena canibal e destruidor, que enfrenta militares na selva; na sua estreia, o personagem é secundário em relação ao herói interpretado por Schwarzy; e O Show de Truman - O Show da Vida, de Peter Weir, com Jim Carrey, Laura Linney, Noah Emmerich, Natascha McElhone e Ed Harris, drama precursor dos reality shows, contando a história de personagem que vive sua vida diante das câmeras de uma estação de TV, 24 horas por dia; ele é o único a não saber disso. /

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