Robert Schwenck/Divulgação
Robert Schwenck/Divulgação

O milionário mundo da magia de OZ

Espetáculo inspirado no clássico filme de 1939 estreia no Rio recheado de efeitos especiais

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2012 | 03h10

Instalado em um camarim próprio, refrescado por ar condicionado, Sage não ouve o burburinho provocado pelos mais de cem artistas, entre atores, músicos e técnicos, que percorrem os bastidores do Teatro João Caetano, no centro do Rio de Janeiro. Afinal, Sage é uma estrela e merece um tratamento requintado. "Em nenhum momento queremos que ele e seus substitutos fiquem estressados", garante Charles Möeller, diretor do musical O Mágico de Oz, superprodução nacional que estreia na sexta-feira. Inspirado no famoso filme de 1939, que consagrou Judy Garland, o espetáculo conta, além de efeitos especiais e cuidadosas cenografia e figurinos, com um cãozinho idêntico ao do longa - no caso, Sage.

"Desde o início do projeto, nosso propósito era realizar uma produção semelhante à apresentada na Broadway, portanto, era mais que necessária a presença de um Totó", completa Claudio Botelho, que traduziu as letras e divide a criação artística com Möeller. Assim, além de Sage, outros dois cães da raça cairn terrier - idênticos ao que aparece ao lado de Judy Garland, chamado Terry - recebem cuidados especiais de um preparador, além do carinho do elenco e da produção.

São detalhes assim que diferenciam a montagem, produção de R$ 8 milhões da empresa Aventura Entretenimento que deverá vir para São Paulo no próximo ano. Baseado na única adaptação autorizada para o teatro, feita pela Royal Shakespeare Company, seguindo praticamente todo o roteiro do filme, além de incluir a música incidental escrita para o cinema, o musical acompanha as aventuras de Dorothy Gale (Malu Rodrigues), que leva uma vida pacata com seus tios Henry (André Falcão) e Em (Bruna Guerin) em uma fazenda no Kansas.

Após um tornado, ela - acompanhada de seu cachorro Totó - vai parar em Oz, onde conhece o Espantalho (Pierre Baitelli), o Homem de Lata (Nicola Lama) e o Leão Covarde (Lucio Mauro Filho). Juntos, os três seguem a Estrada de Tijolos Amarelos em busca do Mágico de Oz (Luiz Carlos Miele) e enfrentam as vilanias da Bruxa Má (Maria Clara Gueiros).

Como no cinema, a montagem carioca começa com cenários e figurinos descolorados, apenas em sépia, para, no mundo de Oz, esbanjar no colorido. "Nesse ponto, não fui totalmente fiel ao filme", confidencia Möeller. "Naquela época, com o surgimento do tecnicolor, era mesmo preciso que as tonalidades fossem mais quentes. Agora, em nossa montagem, eu me inspirei em uma estética mais futurista, com traços de Fritz Lang (especialmente em 'Metrópolis') e também de Tim Burton e seus pesadelos infantis."

Para isso, foi utilizada uma caprichada tecnologia. O cenógrafo Rogério Falcão, por exemplo, projetou 14 cenários que servirão de palco também para um desfile de efeitos especiais, como explosões, projeções, voos, fogos e fumaça, usados especialmente na cena do tornado, apresentado em uma enorme tela de LED. Já o estilista Fause Haten criou figurinos inspirados na estética retrofuturista da direção. Entre os desafios, ele enfrentou a recriação dos conhecidíssimos sapatos vermelhos de Dorothy, objeto de desejo da Bruxa Má. Ele e equipe colaram manualmente centenas de cristais Swarovski sobre a peça.

O trabalho de Claudio Botelho foi outro - exímio em verter para o português canções da Broadway, ele já encontra as sílabas certas para cada melodia. "O problema está nas canções clássicas, como Over the Rainbow", comenta. "Mesmo encontrando os versos corretos, a força do original às vezes acaba se impondo no ouvido do espectador."

Encontrar soluções próprias, aliás, é a marca da trajetória de Botelho e Möeller que chegam ao seu 31.º espetáculo: com total liberdade para adaptar a obra, eles incluíram um número (Jitterbug) cortado do longa e ainda o Mágico ganhou uma canção inédita, com letra de Botelho sobre música de Harold Arlen. "Fizemos questão que Miele interpretasse o Mágico, pois ele é também um criador: descobriu talentos como Elis Regina, Roberto Carlos, portanto, um homem com poderes mágicos", conta Möeller.

O elenco principal foi escolhido da mesma forma, a partir de semelhanças com o personagem. Malu Rodrigues, por exemplo, jovem atriz de 18 anos, vive Dorothy, com a experiência de uma veterana (participou de A Noviça Rebelde, Um Violinista no Telhado, além do seriado Tapas & Beijos). Ela dividirá a cena com Lucio Mauro Filho, que faz sua estreia no gênero, Pierre Baitelli - também protagonista de O Despertar da Primavera e indicado para o Prêmio Shell por Hedwig - e Nicola Lama, elogiado pelo desempenho em Um Violinista. Os três vão encarnar, respectivamente, o Leão Covarde, o Espantalho e o Homem de Lata.

"Mesmo iniciante, Lucio exibe um incrível poder vocal, além de criar um Leão dentro do armário muito engraçado", conta Möeller, que volta a trabalhar com Maria Clara Gueiros, depois de As Bruxas de Eastwick: ela enfrenta horas diárias de maquiagem para viver a atrapalhada Bruxa Má do Oeste.

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