O mestre da ilusão

São Paulo recebe na segunda a maior mostra da obra de Escher já realizada no País, reunindo 95 gravuras

Maria Hirszman, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

Após atrair mais de 800 mil pessoas em Brasília e no Rio, a mostra de Maurits Cornelis Escher (1898-1972) chega a São Paulo na segunda-feira, com quase uma centena de gravuras produzidas ao longo de meio século e instalações desenvolvidas especialmente para apresentar seu trabalho ao público. Trata-se da maior exposição do artista holandês já realizada no Brasil, apresentando de forma panorâmica as várias vertentes dessa produção, que tem como traços principais impressionante qualidade técnica e constante interrogação sobre a percepção da imagem.

Sua obra parece estar sempre nos colocando diante de enigmas visuais. Segundo o curador Pieter Tjabbes, diante dos trabalhos de Escher estamos sempre nos perguntando: "O que estou vendo é mesmo o que é?" Para obter esse estranhamento, o artista usa diferentes estratégias e caminhos, de experimentações com a perspectiva, reflexos e moto-contínuo, até pesquisas em torno dos modelos de ladrilhamento que compõem a série mais longeva.

Cativante para o público, repleta de possibilidades de tratamento que articulam arte, educação e ciência, a obra de Escher nem sempre recebeu tratamento simpático por parte da crítica. O fato de ter escolhido a gravura como meio de expressão e ter ficado conscientemente fora da avassaladora onda modernista que varreu a Europa da primeira metade do século fez com ele fosse considerado por muitos apenas um excelente técnico. "Ele acaba caindo no limbo dos artistas que fazem as coisas benfeitas, mas não estão acompanhando os acontecimentos. Mas ele vislumbrou um caminho, escolheu uma das técnicas mais difíceis, a gravura, e não quis se submeter às imposições do momento", diz Tjabbes.

Mesmo que tal situação tenha se alterado hoje, ainda há resistência em relação à sua criação, que se apoia tanto num receio justificável em relação a uma superexposição mediática de sua obra, como numa postura pouco mais intransigente que resiste às possibilidades de interpretação lúdica contidas em seu trabalho. Afinal, ao desconstruir as formas, ao fazer o espectador desconfiar daquilo que tem diante dos olhos, ao explorar as combinações matemáticas de uma forma intuitiva e estética, Escher faz da arte uma brincadeira. E vice-versa.

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