'O mercado está aberto para nós'

Confira a entrevista com Pablo Bellini, o Hector da novela Araguaia

Alline Dauroiz,

28 de novembro de 2010 | 07h00

 

 

Foi preciso um empurrãozinho do Brasil para que hoje, aos 36 anos, o argentino Pablo Bellini se tornasse ator e modelo internacional com trabalhos na Espanha, Coreia, Japão, Chile e México. Ex-barman / garçom/ caminhoneiro, foi só aqui que o portenho virou modelo, convite que havia recusado em seu país. Como Hector, espanhol que chega em Araguaia, novela das 6 da Globo, para arrebatar corações e traficar animais, Bellini dá vida ao seu quarto papel na tela. Ao Estado, ele comenta a antiga rixa entre os dois países e diz que as parcerias bi-nacionais na TV são "o Mercosul que funciona".

 

 

O que você veio fazer no Brasil?

 

Cheguei em 2004, acompanhando minha mulher, bailarina profissional. Queria continuar a ser barman, mas me falaram que aqui o salário era bem menor, ganhava menos caixinha. Então, minha mulher me incentivou a ser modelo, e já no primeiro trabalho, ganhei três vezes mais. Comecei a fazer curso de ator, mas meus professores achavam difícil eu conseguir trabalho: ‘Com esse sotaque? Vai pra Argentina, para o México, pra Espanha trabalhar com o Almodóvar.’

 

 

Já sabia falar português?

 

Portunhol. Colocava ‘inho’ no final das palavras e misturava com italiano. É que argentino é um italiano que fala espanhol e acha que é inglês (risos). Mas me virava, sou muito expressivo.

 

 

E foi só aparecer na TV que engatou vários trabalhos.

 

O mercado está aberto para os tipos hispânicos e latinos. Conheço só o franco-argentino Jean Pierre Noher (de A Favorita e Viver a Vida) e o Mario José Paz, que fez o Maradona em Viver a Vida. O sotaque abriu portas que não esperava. Mas faço fono. Embora esteja me esforçando para perder o sotaque, está difícil. Argentino tem orgulho, né? Isso acaba afetando.

 

 

 
Foto: Márcio Nunes/TV Globo/Divulgação

A rixa entre Brasil e Argentina é maior por parte dos brasileiros ou dos argentinos?

 

A rivalidade dos argentinos com o Brasil é no futebol. A rixa do brasileiro abrange todos os esportes. Assisti a um jogo de tênis entre Guga e (Guillermo) Coria. O argentinos aplaudiam o Guga. E os brasileiros gritavam ‘maricón’ pro Coria. Mas não consigo torcer pro Brasil no futebol. Só quando é contra a Inglaterra. Vivi a Guerra das Malvinas. É bom que na Argentina distribuímos as rixas. Temos rivalidade com Chile, Uruguai...

 

 

Já sofreu preconceito?

 

Uma ou outra pessoa já ofendeu. Mas sou simpático, falo pra caramba. Ah! Semana passada, no aeroporto, ajudei uma menina com malas gigantes, e ela disse: ‘Puxa! Tem argentino gente boa!’ Fiquei triste. Argentino é orgulhoso, mas também é romântico, cavalheiro...

 

 

Os argentinos da TV têm ajudado a aplacar a rivalidade?

 

O meu papel não vai ajudar muito. Mas papéis como o do Maradona (Viver a Vida) ajudam. Não sei por que, mas só fiz vigarista. Vai ver que tenho cara de safadinho. Gostaria de fazer um dia um bonzinho (risos).

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