O melhor Michael Moore, raridade

Será uma oportunidade única para quem quiser ver o novo filme de Michael Moore nos cinemas. A Paramount já decidiu que Capitalismo, Uma História de Amor vai somente para DVD. O filme é uma das grandes atrações do 15.º É Tudo Verdade. Michael Moore sempre foi polêmico. Não foi ele quem mudou; foram os críticos. Moore já manipulava e era personalista em Tiros em Columbine, em que foi particularmente ofensivo com Charlton Heston, porque o astro era porta-voz da Associação do Rifle dos EUA. A maioria da crítica, naquela época, não ligava para isso e amava Moore. Continuou amando em seu ataque contra George W. Bush em Fahrenheit 11 de Setembro.

, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2010 | 00h00

Michael Moore perdeu seu principal garoto-propaganda, e era justamente o ex-ocupante da Casa Branca. Quem amava odiar Bush Jr. sabia que encontraria munição em seu cinema. Todos os defeitos ficavam perdoados. Capitalism, A Love Story, lançado na era pós-Bush, teve o pior desempenho na bilheteria de um filme do diretor (embora não tenha sido vergonhoso). Ele se fechou em copas. Os números foram mais favoráveis em DVD. Moore virou falastrão de novo na imprensa dos EUA.

Acredite ? os defeitos tradicionais do autor seguem evidentes na sua diatribe contra o capitalismo, mas ele nunca foi melhor, cinematograficamente. O filme explica a crise financeira de 2008 com uma lógica compreensível às massas. As histórias que o diretor escolheu para ilustrar seu ataque ao capitalismo voraz são contundentes e, embora aparecendo bastante, ele é menos exibicionista (e mais focado). Para resumir ? o filme flui e você entende o partido dele. Mais do que atacar o capitalismo, Moore quer restituir a si mesmo e a seus conterrâneos o orgulho de serem norte-americanos. Havia virado uma vergonha, sob Bush. / L.C.M.

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