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O melhor de todos

A história de Melchior é contada em livro que o artista Vik Muniz fez com a cantora Adriana Calcanhotto

Camila Molina - O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h07

Melchior tinha apenas um desejo, o de ser "o mais melhor" em tudo. Ele não era o pior, não era o menor, era o penúltimo a ser escolhido para o time de futebol, mas vivia frustrado pela falta de brilho. Um dia, enfim, o garoto encontrou um gênio gordo da bolinha de pingue-pongue que transformou Melchior no maioral - só que o menino ficou arrogante demais até descobrir que, afinal, não adianta nada ser "o mais melhor" sozinho, sem nenhum amigo.

"Criei essa história para o meu filho Gaspar", diz o artista Vik Muniz, que lança hoje, na Livraria Cultura do Shopping Market Place, o livro Melchior, O Mais Melhor (Editora Cobogó, 64 págs., R$ 38), sua primeira aventura pela literatura infantil. A obra tem ainda outra presença ilustre, ilustrações a aquarelas criadas especialmente pela cantora e compositora Adriana Calcanhotto. "Vamos fazer uma bagunça no lançamento", brinca a cantora, que de tão familiarizada com as crianças criou há algum tempo a persona 'Adriana Partimpim' para cantar aos pequenos. No lançamento, Vik e Adriana vão ler trechos do livro para o público e serão distribuídas cenas da obra para as crianças colorir.

"Sempre escrevi e hoje escrevo mais do que desenho", conta Vik Muniz, que acaba de inaugurar no Museu Coleção Berardo, em Portugal, uma grande retrospectiva de sua famosa produção artística. A história de Melchior, como diz o artista, estava guardada há tempos em sua gaveta. "Meu filho Gaspar tinha uns 7 ou 8 anos e era uma época em que vivia querendo me impressionar."

"Ele foi a uma festinha de aniversário e ficou muito bravo por não chamar a atenção. Agrediu a aniversariante e foi uma coisa muito feia", conta ainda Vik, que naquele tempo, vivendo em Nova York, escreveu em inglês a história de "Benny, The Bester". Hoje, enfim, Gaspar tem 21 anos e o livro sobre Melchior - também o nome de um dos Reis Magos - vai ajudar outros meninos e meninas.

Para o lançamento da edição brasileira - outro evento ocorrerá no dia 2, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon do Rio -, Vik adaptou seu texto do inglês para o português, assim como as brincadeiras que aparecem mencionadas na história. "Muitas crianças curtem e acompanham o meu trabalho e é uma audiência muito sofisticada, crítica", diz o artista, que "adora pesquisar os mais diversos materiais para compor as figuras e paisagens de suas fotografias - sucata, açúcar, chocolate, diamantes e muito mais" tal como é apresentado no livro. Com o texto pronto, convidou Adriana que, além de também ser Partimpim, "gosta de brinquedos que tocam música e de instrumentos que fazem barulho, e adora desenhar e fazer colagens". Foi a parceria perfeita, os dois autores.

Por causa de uma lesão na mão, Adriana Calcanhotto fez cerca de 40 desenhos bem lentamente e leves, numa escala pequena - curiosamente, no autorretrato que está no fim do livro, ela está com uma tala no braço. Em seu traço, Melchior é um menino de cabelos castanhos, que veste sempre uma camiseta com uma caveirinha. "A caveira é como uma orelha de cachorro que vai tendo emoções e expressando opiniões sobre os acontecimentos da história", diz a cantora-ilustradora. "Não saberia ilustrar um livro que escrevi, não sei por quê", conta Vik.

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