O melhor da música, do cinema e do teatro caminham juntos

Análise: Jefferson Del Rios

O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2012 | 02h10

Tom Jobim foi cogitado para musicar o poema dramático Morte e Vida Severina que resultaria no histórico espetáculo do Tuca (1965). Projeto do animador cultural Roberto Freire, um dos idealizadores do grupo que, no entanto, teve uma segunda ideia feliz. Freire lembrou-se de um show de estudantes do colégio Santa Cruz onde ouviu um muito jovem Chico Buarque. Mandou então chamar o filho do seu amigo, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, que aos 21 anos fez a trilha do espetáculo.

No ano seguinte, o da consagração com A Banda, Chico musicou ainda Os Inimigos, de Gorki, encenação do Teatro Oficina (1966). Ele e os demais talentos emergentes da MPB estiveram desde então em montagens paulistas e cariocas. No Teatro de Arena, no mesmo ano de 1965, Edu Lobo, 22 anos incompletos, comandou a parte musical de Arena Canta Zumbi, direção de Augusto Boal, autor do texto em parceria com Gianfrancesco Guarnieri. Uma das músicas, Upa Neguinho, com letra de Guarnieri, seria sucesso nacional de Elis Regina. O mesmo grupo apresentaria a seguir Arena Conta Tiradentes com direção musical de Theo de Barros (autor da música Disparada, de Geraldo Vandré) e composições de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sidney Miller (1945-1980). Caetano, em 1967, faria uma das canções de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade. Esse espetáculo inovador teve ainda os compositores de formação erudita ligado às vanguardas Rogério Duprat (1932 - 2006) e Damiano Cozzela, ativo colaborador com o Teatro de Arena.

Em 1968, seis meses antes do AI 5 oficializar a ditadura e em meio a lutas com a censura, foi possível fazer A Feira Paulista de Opinião, cinco peças curtas agressivamente políticas com músicas de Edu Lobo, Caetano, Sérgio Ricardo, Gil e Ary Toledo. Desse período rico e agitado, há artistas que merecem ser resgatados como o falecido violonista e arranjador Carlos Castilho.

Essa, a parte paulista. A versão carioca registra, entre outros, os trabalhos do compositor, arranjador e violonista Oscar Castro Neves com o diretor Flávio Rangel no bonito e polêmico Liberdade Liberdade (1965).

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