O médico e o monstro com colorido nacional

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2010 | 00h00

By Broadway. O cenário é a Inglaterra do fim do século 19, quando a Revolução Industrial em curso havia transformado radicalmente a sociedade

 

O par de Miss Saigon está de volta. Passados exatos três anos, Nando Prado e a onipresente Kiara Sasso irão novamente atuar juntos em Jekyll & Hyde - O Médico e o Monstro, musical que abre temporada hoje no Teatro Bradesco. A montagem, que transpõe para os palcos o clássico de Robert Louis Stevenson, repete a fórmula de superproduções da Broadway que aportam por aqui.

Como de costume, as cifras grandiosas são alçadas à categoria de protagonistas: custo de R$ 6 milhões, cerca de 200 profissionais envolvidos, 28 atores-cantores em cena e mais de 150 trocas de figurino. Também não faltarão os já tradicionais efeitos especiais, com direito a chuva, fogo e voo em cena.

Mas os maiores trunfos do espetáculo dirigido pelo norte-americano Fred Hanson, que também esteve à frente de Miss Saigon, parecem estar mesmo atrás do palco. A versão brasileira ficou a cargo de Claudio Botelho, a maior grife do País quando se fala em musicais. Os cenários exibem assinatura de J. C. Serroni e os figurinos foram encomendados ao estilista Fause Haten. Para criação das roupas de época, Haten conta que procurou evitar influências das montagens anteriores. "Parti apenas das referências do próprio texto. Tentei fazer um trabalho que não remeta a nenhuma das versões."

Múltiplo. No caso de O Médico e O Monstro é difícil não seguir nenhuma das transposições já feitas. A versão original norte-americana de Steve Cuden e Frank Wildhorn já chegou a mais de 17 países desde a estreia no Plymouth Theater, em Nova York. E, em cada um deles, recebeu matizes e tonalidades próprias.

Ao contrário de outros títulos, que foram importados ao Brasil como franquias, o atual O Médico e o Monstro pôde ser livremente adaptado ao paladar nacional.

Tanta liberdade agradou ao diretor musical, Paulo Nogueira. "Pude selecionar aquilo que melhor se adaptasse ao gosto brasileiro. Como compositor, estou adaptando arranjos e solos. Tivemos carta branca para alterar as linhas melódicas", diz ele.

No romance, Stevenson expõe as agruras de Henry Jekyll, um bondoso e equilibrado médico que tenta desenvolver uma fórmula para isolar o mal, mas acaba confrontado com seu alter ego, o inescrupuloso Edward Hyde.

O cenário é a Inglaterra do fim do século 19, quando a Revolução Industrial em curso havia transformado radicalmente a sociedade e, sobretudo, a configuração das cidades.

Com lances de suspense, a novela rapidamente caiu no gosto dos leitores. "É um thriller, coisa rara em musicais", comenta Kiara Sasso.

Para aumentar ainda mais o apelo para o público, o diretor tratou de reforçar as tintas do triângulo amoroso da trama, em que o protagonista (Nando Prado) se vê dividido entre o amor pela noiva Emma (Kiara Sasso) e a atração pela prostituta Lucy (Kacau Gomes). "No espetáculo, tentamos refletir bem o sentido da época vitoriana, com muito romance, terror e mistério", lembra Hanson.  

O MÉDICO E O MONSTRO

Teatro Bradesco (1.457 lug.). R. Turiaçu, 2.100, 4003-1212. 5ª, 21h; 6ª, 21h30; sáb., 17h e 21h; dom., 18h. R$ 80/R$ 190

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