O mapa da genuína bebida brasileira

A surpresa começa no prefácio do livro. Cachaça, de Araquém Alcântara e Manoel Beato, é apresentado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que não gosta de bebidas alcoólicas - "exceto um bom vinho, que entretanto sorvo pouco e devagar". Sua relação com a cachaça, diz, é sociológica, não só por ser a mais genuína bebida brasileira como por sua longa história, que começa por volta de 1532, quando Martin Afonso trouxe a cana para ser plantada em terras brasileiras.

O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2011 | 03h07

Decidido a traçar o mapa da caninha pelo Brasil, Araquém visitou desde a meca da cachaça, Salinas, a uns passos do grande sertão no Vale do Jequitinhonha, até os alambiques de Paraty. Para Beato, ela deve ser tratada como se degusta destilados como o uísque e o conhaque, apreciando-se as mudanças cromáticas garantidas pelo tempo de armazenamento.

O sommelier traça a correspondência entre os aromas da cachaça (florais, herbáceos, minerais) e os perfumes, mostrando como as madeiras dos barris (ipê, jequitibá, angico, grápia, carvalho) interferem na cor e no resultado final da bebida.

Araquém trabalha a luz em composições que elegem não só a caninha como seu modo de produção e as pessoas cujas vidas giram em torno do cultivo da cana-de-açúcar. São fotos em que predomina o chiaruscuro de Caravaggio, a começar pela capa, que mostra um beberrão com uma garrafa tentando se equilibrar numa rua escura. / A.G.F.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.