O jogo literário de Perec

À primeira vista, a impressão era estar diante de um homem excêntrico - além de cultivar uma farta barba crespa, que parecia a continuação de sua vasta cabeleira, ele era fascinado por catalogações, palavras cruzadas e ainda fumava segurando o cigarro com os últimos dedos da mão. Mas Georges Perec era um escritor de múltiplas ambições.

O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2012 | 03h10

Entre os manuscritos encontrados depois de sua morte precoce, aos 46 anos, em 1982, figurava um texto em que ele revelava seu plano de vida literária: escrever tudo que é possível para um homem, livros grandes e pequenos, romances e poemas, peças de teatro e aventuras policiais, ficção científica e histórias infantis.

Mas, se tivesse escrito apenas A Vida Modo de Usar (1978), livro aclamado como uma espécie de continuação de Bouvard e Pécuchet, de Flaubert, Perec já ocuparia um lugar de honra ao lado de nomes como James Joyce e Jorge Luis Borges.

Perec era um escritor para quem o controle formal era uma necessidade - na verdade, uma exigência. Assim, tornou-se membro natural do Oulipo (Ouvroir de Littérature Potentielle, laboratório de literatura potencial), grupo formado em 1960 pelo escritor e matemático Raymond Queneau e o autor Italo Calvino, e cujo principal interesse era a aplicação de qualquer tipo de restrição à literatura. / U.B.

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