O jabuti vai para Edney Silvestre

Escritor vence na categoria romance com Se Eu Fechar os Olhos Agora

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2010 | 00h00

O tortuoso amadurecimento de dois garotos na década de 1960, pano de fundo para retratar anos de tortura, é o ponto de partida de Se Eu Fechar os Olhos Agora (Record), livro anunciado ontem como o melhor romance do 52.º Prêmio Jabuti. Seu autor, Edney Silvestre, receberá R$ 3 mil. "Estou exultante, especialmente pela qualidade de meus concorrentes", comentou ao Estado. De fato, sua obra venceu Leite Derramado (Companhia das Letras), de Chico Buarque, e Os Espiões (Objetiva), de Luis Fernando Verissimo, respectivamente segundo e terceiro colocados na categoria.

Silvestre, assim como os ganhadores das outras 20 categorias, vai receber o troféu na cerimônia de premiação marcada para 4 de novembro, na Sala São Paulo. Nesse dia, sua coleção poderá aumentar, pois serão anunciados o melhor livro do ano de ficção e o de não-ficção, os prêmios máximos do Jabuti - cada vencedor recebe R$ 30 mil, além de mais uma estatueta dourada. Coleção que já ostenta uma importante conquista: em agosto, Se Eu Fechar os Olhos Agora foi eleito o melhor romance estreante de 2009 do Prêmio São Paulo de Literatura, honraria que lhe valeu, além de um troféu, um cheque de R$ 200 mil.

 

 

 

Leia linkLista completa dos vencedores do Prêmio Jabuti

 

 

"Desde aquela época, venho buscando explicações para o sucesso do livro", conta Silvestre. "Afinal, não se trata de um relato histórico, nem policial, ou mesmo de um romance de formação, mas contém ingredientes de todos esses gêneros."

O livro mostra como, em abril de 1961, dois meninos de 12 anos, que vivem em pequena cidade da antiga zona do café fluminense, encontram o corpo mutilado de uma mulher às margens de um lago. Como a explicação oficial do crime, que incrimina o marido, dentista da cidade, motivado por ciúme, não convence, eles iniciam sua própria investigação, ajudados por um velho que mora no asilo da cidade - na verdade, um ex-preso político da ditadura Vargas.

Temas atuais. "Muitas dúvidas me surgiram quando escrevia o romance, mas era movido pela certeza de que deveria tratar da nossa realidade", comenta. "Sinto uma certa indisposição de uma parcela dos autores nacionais em tratar de temas atuais, o que me incomoda, pois não podemos (nem devemos) esquecer assuntos como a ditadura militar ou mesmo de que estamos prestes a eleger um novo presidente." O próximo livro, segundo Silvestre, está em gestação, mas levará ao menos cinco anos até ser publicado.

Nas outras categorias do Jabuti, Marina Colasanti venceu em poesia com o livro Passageira em Trânsito (Record), enquanto em contos e crônicas o troféu ficará com Eu Perguntei Pro Velho Se Ele Queria Morrer (E Outras Histórias de Amor), de José Rezende, publicado pela 7Letras.

Entre as biografias, houve um empate - Nem Vem Que Não Tem - A Vida e o Veneno de Wilson Simonal (Editora Globo), de Ricardo Alexandre, terminou em primeiro, enquanto a segunda colocação foi dividida entre Euclides da Cunha: Uma Odisseia nos Trópicos (Ateliê Editorial), de Frederic Amory, e Padre Cícero - Poder, Fé e Guerra no Sertão (Companhia das Letras), de Lira Neto. Em terceiro, ficou Bendito Maldito - Uma Biografia de Plínio Marcos (Leya), de Oswaldo Mendes.

Cronista do Estado, Maria Rita Kehl venceu na categoria educação, psicologia e psicanálise com O Tempo e o Cão (Boitempo Editorial).

VENCEDORES

Romance

1º) Se Eu Fechar os Olhos Agora (Record), de Edney Silvestre

2º) Leite Derramado (Companhia das Letras), de Chico Buarque

3º) Os Espiões (Objetiva), de Luis Fernando Verissimo

Contos e crônicas

1º) Eu Perguntei pro Velho se Ele Queria Morrer (e Outras Histórias de Amor) (7Letras), de José Rezende Jr.

2º) A Máquina de Revelar Destinos Não Cumpridos (Editora Dimensão), de Vário do Andaraí

3º) Pauliceia Dilacerada (Funpec Editora), de Mário Chamie

Poesia

1º) Passageira em Trânsito (Record), de Marina Colasanti

2º) Sangradas Escrituras (Star Print), de Reynaldo Jardim Silveira

3º) Lar, (Companhia das Letras), de Armando Freitas Filho

 

 

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