O início dos imortais

O clássico Some Girls ganha reedição de luxo, com 12 faixas inéditas

O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h10

Some Girls retratou os Stones em um momento delicado. Gravado à sombra de uma acusação que ameaçou botar Keith Richards em cana, por porte de heroína, o disco reafirmou a virilidade da banda perante o comodismo da fama. Em outras palavras, a pergunta era: como fazer música de alta voltagem quando não há mais nada a provar?

Em sua autobiografia, Keith Richards responde: "Havia uma certa sensação de renovação. Tinha muito a ver com os punks, porque eles não sabiam tocar e nós sabíamos. Eles só sabiam ser punks. Esses Johnny Rottens da vida. Eu adoro bandas novas, mas quando eles só sabem cuspir nas pessoas, sinto que dá para fazermos algo melhor".

O disco, que acaba de ser relançado em edição de luxo, com 12 novas faixas, foi gravado em outubro de 1977, época em que o Sex Pistols incendiava a Inglaterra com o movimento punk. Acompanhou também o auge da disco music, rendendo influências palpáveis, que sintetizam a forma milagrosa com que os Stones sempre estiveram no topo sem perder a essência. Uma aula de minimalismo punk vinha em Shattered. O apelo pop da disco ecoava no clássico Miss You. A alma da banda reluzia em Beast of Burden. Em suma, se os céticos perguntavam o que seria das rolantes pedras jurássicas do rock, Some Girls respondia mais uma vez, anunciando a imortalidade.

A edição de luxo reúne faixas que figuram em discos piratas dos Stones há anos. Há boas canções românticas, partes do cancioneiro country dos Stones. Entre os destaques está No Spare Parts, com suplicante guitarra havaiana de Ron Wood, que acabara de se juntar à banda. A solidão country é quebrada com Tallahassee Lassie e I Love You Too Much, uma espécie de protótipo para Start Me Up, que seria gravada na mesma sessão, mas, por insatisfação de Keith, veria a luz do dia somente três anos depois, em Tattoo You. Há blues e shuffles para todos os gostos. Mas o que impressiona mesmo é a sonoridade quente e cristalina, concebida pelo craque das mesas de som, Chris Kimsey, em sua estreia com a banda. / R.N.

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