O imprevisível na Bienal do Mercosul

Curadora geral da próxima edição do evento, em 2013, a mexicana Sofía Hernandez Chong Cuy apresenta seu projeto

ELDER OGLIARI, PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h08

A 9.ª Bienal do Mercosul, que será inaugurada em 13 de setembro de 2013, vai tratar da interação entre natureza e cultura e de como os artistas visuais abordam o desconhecido e o imprevisível. O resumo da proposta foi apresentado anteontem pela curadora geral, a mexicana Sofía Hernandez Chong Cuy. A investigação dos cerca de 90 artistas que serão selecionados vai passar pelo impacto da tecnologia sobre a percepção que o homem tem do mundo em que vive ao longo do tempo. "Isso nos propõe a pensar as formas de comunicação que tivemos, dos sinais de fumaça à internet", destacou.

Sofía adiantou algumas linhas básicas da próxima Bienal e citou os demais curadores. O lituano Raimundas Malasauskas, curador do Tempo, tem trabalhos voltados a experiências com artistas performáticos e deve elaborar projetos que tenham como base o tempo e a recuperação de aspectos históricos pouco explorados. Já a curadoria do Espaço ficará a cargo do brasileiro Bernardo de Souza.

A belga Sarah Demeuse, a mexicana Daniela Pérez e a brasileira Júlia Rebouças serão as curadoras da Nuvem, palavra que serve a diversas conotações no debate das artes visuais tanto por, no aspecto natural, servir de inspiração a artistas, retratar estados de espírito e representar mobilidade sem limites, quanto, no aspecto tecnológico, ter se tornado conceito de dados e memória compartilhados pela internet. A Nuvem da Bienal também terá um curador pedagógico, o inglês Dominic Wilson. "Eles vão nos ajudar a buscar o lugar da informação na exposição", disse Sofía.

Os locais da 9.ª Bienal do Mercosul ainda não estão totalmente definidos. É certo que as mostras principais ocuparão a Usina do Gasômetro, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul e o Santander Cultural, todos no centro de Porto Alegre. Outras exposições e obras específicas estarão em diversos espaços da capital gaúcha, a serem escolhidos.

Nascida em Mexicali, Sofía Hernandez Chong Cuy mora em Nova York e passa a maior parte do tempo conduzindo pesquisas em curadoria na América Latina. Ela foi diretora do Museu Tamayo, na Cidade do México, e, atualmente, é curadora de arte contemporânea da coleção Patrícia Phelps de Cisneros. Está também na equipe de pesquisa da Bienal de Veneza de 2013 e participa do conselho da Kunstverein, em Amsterdã.

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