O hospital quase de verdade de Amor à Vida

Em vez de estúdio, cenas dos médicos acontecem em construção no Projac

JOÃO FERNANDO / RIO, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2013 | 02h10

Se na série Downton Abbey, a aristocrática família Crawley emprestou parte de seu castelo para atender os feridos 1.ª Guerra Mundial, o Tufão de Avenida Brasil, não tão abastado quanto os personagens britânicos, perdeu sua mansão para dar lugar a um hospital onde a história de Amor à Vida, próxima novela das 9 da Globo, com estreia marcada para o dia 20 de maio, vai se desenrolar.

A construção ocupa um espaço de 6 mil m² na área das cidades cenográficas do Projac, onde as tramas da emissora são gravadas. O planejamento demorou três meses e a obra, pronta há cerca de duas semanas, levou 40 dias para ser concluída. "A gente nunca havia feito algo em tamanho real. Mas, como 50% das cenas são aqui, investimos nesse hospital. A ideia é que não pareça um cenário, assim fica menos artificial", explica Mario Monteiro, diretor de arte da Globo, sem revelar quanto custou o projeto.

Na história, o casal César Khoury (Antonio Fagundes) e Pilar (Suzana Vieira) são os donos da casa de saúde, batizada de San Magno, que será alvo de disputa dos filhos, o vilão Félix (Mateus Solano), e Paloma (Paolla Oliveira). Apesar de parecer real e ter sistema de iluminação próprio e ar-condicionado por dentro, o hospital foi feito com materiais leves. "É tudo de madeira. As colunas (de sustentação) são de PVC, desses que você compra para fazer encanamento", contou Monteiro ao Estado, enquanto caminhava pelo cenário.

Com espaço apenas no térreo, o prédio terá uma torre de quinze andares criada por computação gráfica. Mesmo com altura suficiente para que o equipamento de iluminação seja instalado, a ideia é aproveitar a luz do local, onde parte das paredes é de vidro. "As câmeras de alta definição são muito sensíveis à luz, quase não usamos refletores", detalha Monteiro, responsável por cenários como a discoteca de Dancin' Days (1978), que contou com a ajuda do cenógrafo Maurício Rohlfs, que usou lâmpadas de LED. "Elas gastam 50% menos energia."

O San Magno segue o conceito de hospitais contemporâneos e, além de lanchonete, tem livraria - onde, na vitrine, está em destaque Juntos para Sempre, novo livro de Walcyr Carrasco, autor da novela - e loja de presentes. Há ainda um restaurante dos médicos, cenário em que acontecerão intrigas entre os personagens. Como a obra terminou perto da estreia, as cenas ambientadas na casa de saúde começaram a ser rodadas no estúdio de 1 mil m² em que sequências de outros núcleos da trama são gravados.

Além da porta de entrada na frente, o San Magno tem acesso pelos fundos, onde chegarão as ambulâncias que levarão à emergência. Há ainda um pátio interno, com calçada de pedras portuguesas. Os elevadores foram projetados para ter o tamanho real para receber macas com atores.

A fachada é uma referência ao primeiro prédio do hospital Sírio Libanês, inaugurado em 1965, na Bela Vista. A construção, porém, tem também elementos dos hospitais Albert Einstein e Santa Catarina. Cercado de chroma key (fundo azul em que imagens são inseridas digitalmente), o San Magno será projetado na Avenida Paulista, entre a Alameda Ministro Rocha Azevedo e a Rua Padre João Manuel.

Realidade. A história da casa de saúde fictícia se mistura com a do Sírio Libanês. Na trama, o San Magno é um hospital particular em que parte dos pacientes de baixa renda é atendida em projetos filantrópicos. Em 1921, mulheres das comunidades síria e libanesa, lideradas por Adma Jafet - que hoje dá nome à rua da instituição - se reuniram para criar o hospital, que levou décadas para começar a funcionar.

Na trama, a ideia de cuidar de doentes sem dinheiro para o tratamento parte de Paloma. Entretanto, seu irmão, Félix, obcecado pelo lucro, fará de tudo para reverter a situação. Gay enrustido, o vilão vai se encantar por Jacques (Júlio Rocha), um médico ambicioso que vai se aproveitar da condição para ganhar poder na equipe. O novato tentará passar por cima de Lutero (Ary Fontoura), cardiologista e homem de confiança de César que comanda os profissionais da casa de saúde.

Entre os dramas do hospital, em que personagens terão de cuidar de doenças como câncer, haverá momentos cômicos, como as cenas da enfermeira chefe Perséfone, papel de Fabiana Karla, que dá em cima de homens nos corredores. No time estão ainda um cirurgião metido a Don Juan, Laerte, interpretado por Pierre Baitelli, e o plantonista atrapalhado Renan, vivido por Álamo Facó.

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