Thomas Lang/Divulgação
Thomas Lang/Divulgação

O guardião do batuque politizado

Femi Kuti, filho de Fela, toca músicas de seu disco Africa for Africa, amanhã e domingo

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

Manter acesa a chama da luta pela liberdade é a maior preocupação de Femi Kuti quando se discute o legado musical de seu pai, Fela, o polêmico sumo sacerdote do afrobeat. "Esta é a herança de Martin Luther King Jr., de Mandela. Meu pai foi só mais um dos soldados nesta luta e, assim como a música dele, a minha também é extremamente politizada", conta o músico, que tocará amanhã e domingo no Sesc Santo André junto aos grupos brasileiros M. Takara 3, Maquinado, Kiko Dinucci e Elo da Corrente.

Femi apresentará músicas de seu novo disco, Africa for Africa, que na melhor tradição Kutiana (Fela, além de músico, foi político e eterno desafeto de ditadores militares nigerianos) destila o veneno contra o governo do país sobre as bases poli-rítmicas do afrobeat. "Uma das minhas perguntas é o quê acontece com esses políticos quando eles chegam ao poder. Ninguém pediu que eles se tornassem primeiros ministros ou presidentes. Eles imploram o apoio do povo e, assim que são eleitos, viram líderes arrogantes e desfazem suas promessas", conta.

Para Femi, o disco representa um retorno às raízes feito em um momento em que homenagens a Fela estão em alta (o músico foi o tema de um premiado musical da Broadway e terá sua biografia adaptada para o cinema em 2011). As gravações foram feitas no estúdio Afrodisia, onde Fela gravou seus discos clássicos. "Chegamos lá, não havia ar condicionado e as luzes e a mesa de som não funcionavam direito. Tocamos encharcados de suor, mas o disco tinha que ser feito lá, então reformamos o lugar", conta o músico que também é responsável pelo revival da lendária boate Shrine, que serviu de palanque para os protestos contra corrupção e opressão que seu pai fez durante a década de 70 e 80.

No disco, além de cutucar o governo, Femi prega união perante aquilo que considera o maior problema do continente: "As fronteiras coloniais criadas para nos manter separados." Por isso, "temos que nos lembrar de que somos irmãos e irmãs", diz.

BATUQUE - CONEXÃO ÁFRICA - BRASIL

Sesc Santo André. Rua Tamarutaca, 302, tel. 4469-1200. Sáb. e dom., 17h30. R$ 24.

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