Dilvulgação
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O garoto é a chave de tudo

No começo de Coincidências do Amor, quando sua melhor amiga, Jennifer Aniston, lhe anuncia que quer ser mãe e procura um doador de esperma - pois o bebê será uma produção independente, Jason Bateman tenta demovê-la com argumentos do tipo "...e se ela fizer a inseminação e encontrar o homem ideal, etc"? Você já viu este outro filme, e há pouco.

Crítica: Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

Plano B, com Jennifer Lopez. Ela está saindo do consultório em que foi inseminada artificialmente e encontra o homem de sua vida, com quem passa a brigar no ato. E há um lance tipo Amor à Distância, a comédia romântica com Drew Barrymore e Justin Long, ainda em cartaz. Às vezes, estar perto, ou distante, é relativo. O amor não tem fórmula. É muito mais resistente - mas também pode ser mais frágil - do que se imagina.

Coincidências do Amor, Plano B, Amor à Distância. Há momentos em que essas três comédias parecem uma só. Elas revelam uma Hollywood muito mais aberta ao linguajar chulo e às situações de risco, aos temas delicados. Novas concepções de família tratadas por "autores" como Pedro Almodóvar em Tudo Sobre Minha Mãe estão chegando ao cinemão. Os críticos torcem o nariz, mas, se depender deles, o cinema não anda (ou só vai andar no ritmo da carruagem dos dois ou três diretores que admiram).

Coincidências do Amor pode não ser tão bom quanto Plano B ou Amor à Distância, mas o trabalho de Will Speck possui um encanto especial. Jason Bateman substitui o esperma do doador escolhido por Jennifer, mas ela não sabe. Ele é o pai da criança. O par central é muito interessante - ambos são tão "normais", tão pouco "glamourosos". A alma do filme é o menino, uma espécie de súmula infantil das neuroses que Bateman carrega, adulto.

É o velho relato iniciático (do pai), mas projetado no filho. A história não tem nada a ver nem as intenções, mas o garoto de Coincidências do Amor lembra a seriedade do piccolo Enzo Staiola de Ladrões de Bicicletas, de Vittorio De Sica. Claro, é preciso saber ver, e sem preconceitos, para usufruir.

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