O futuro segundo Paul Schrader

Paul Schrader não é uma figura das mais simpáticas e amigáveis, mas certamente é uma das mais fascinantes personalidades da história do cinema. Em conversa com o Estado esta semana, na tarde de segunda-feira, em que havia acabado de desembarcar no País, ele mostrou por que é um dos enfants terribles de Hollywood. Seu humor peculiar e suas declarações sempre precisas não deixam dúvidas do porquê ele é autor de roteiros lendários como Taxi Driver e Touro Indomável, e diretor de longas memoráveis, como Marca da Pantera e Gigolô Americano.

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h08

O diretor e roteirista veio a São Paulo participar de um papo com o público na terça-feira e ministrar duas aulas magnas (uma hoje e outra amanhã, às 15 horas) no Museu da Imagem e do Som. É também tema de retrospectiva de sua obra, que, no MIS, exibe Vivendo no Limite, Operação Yakuza, Touro Indomável e Marca da Pantera, entre outros.

Mais que sua programação oficial, Schrader quer conhecer a cidade. "Quero dar uma volta pelo Ibirapuera, conhecer museus. E ir a pé para o MIS. Porque, pelas horas que gastei do aeroporto até o hotel (no Itaim-Bibi), vi que o trânsito aqui é caótico", disse, enquanto estudava um mapa.

Mais que visitar a cidade, quer falar com os jovens não sobre seu passado, mas sobre seu presente e futuro. "Em geral são jovens que querem saber do meu trabalho. Estou finalizando um novo longa, The Canyons, com roteiro de Bret Easton Ellis. E é de como o realizei que quero falar."

The Canyons, estrelado por Lindsay Lohan e o ator pornô James Deen, versa principalmente sobre a obsessão por sexo. Aos 66 anos, Schrader prova que ainda é capaz de tocar projetos e roteiros com mais frescor que muitos jovens diretores. Para ele, no entanto, a principal mudança do cinema atual não é a de temas ou conteúdo, mas sim a revolução do formato, tanto da forma de captar imagens quanto de exibir. "Não estamos falando de película contra digital, mas de filmar com um celular. Filmes já não são mais vistos só no cinema ou na TV. Eu vejo filmes no meu celular. É o futuro."

Por falar nisso, é o futuro do modo de produção que interessa prioritariamente a Schrader. "O modo clássico de se financiar um projeto mudou. Ou há os filmes milionários, ou se dá dinheiro a idiotas. Ou você é um dos idiotas ou é melhor pensar no seu próprio jeito de financiar seu filme", comentou ele que, para financiar The Canyons, bolou um esquema de cooperativa. "Juntamos algum dinheiro. Todo mundo trabalhou por pouco. E assim fizemos. É preciso ser criativo."

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