O futuro otimista de Star Trek

No filme Além da Escuridão, de J.J. Abrams, o mundo é sereno - não há lutadores de rua, de jogos de fome nem zumbis

Bry Alexander, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2012 | 02h06

Antes da tempestade, as risadas. No fim de semana passada, os cinéfilos tiveram a oportunidade de assistir a nove minutos do filme Além da Escuridão: Star Trek (que será lançado mundialmente no dia 17 de maio) em todo o país, em 288 cinemas Imax, antes da exibição de O Hobbit. Eles descobriram certa leveza na cena da abertura que mostra o caos (já apresentada no trailer) provocado por John Harrison, o misterioso vilão interpretado por Benedict Cumberbatch.

"O filme torna-se definitivamente intenso e, por algum tempo, se desloca para um ambiente escuro", diz o diretor J.J. Abrams. "Mas não existe escuridão sem luz."

Para esclarecer os fãs da venerada série de ficção científica, Abrams dá algumas explicações sobre o segmento:

 

O espaço não é necessariamente a última fronteira. A Enterprise vai debaixo d'água! Para horror do engenheiro Scotty (Simon Pegg) e para surpresa dos fãs da série, a famosa nave espacial mostra que pode procurar refúgio no oceano.

 

Cenas de 'Além da Escuridão: Star Trek', que tem estreia mundial em 17 de maio

"Uma das coisas engraçadas que fazemos é imaginar momentos e coisas nunca vistos antes", diz Abrams. "Alguns fãs e puristas do filme original dizem que é um sacrilégio fazer isso. E, no entanto, Gene Roddenberry (o criador de Star Trek) escreveu que deveríamos ir até onde nunca fomos. E é o que tentamos fazer. Está no espírito do que Roddenberry escreveu."

A respeito das sequências embaixo d'água, Abrams diz: "Sei também que para outros puristas isso é perfeitamente possível e perfeitamente coerente."

O amor do vulcão continua. O vulcão Spock (Zachary Quinto) e a humana Uhura (Zoe Saldana) continuam sua relação, que começou em Jornada nas Estrelas de 2009, a bordo da Enterprise.

"Este filme se passa seis meses mais tarde e eles ainda formam um casal", diz Abrams.

Mas há prenúncios de problemas para o romance.

"O filme testa várias relações", explica o diretor. "E uma delas é a dos dois personagens. Como é namorar um vulcão: ele é um indivíduo em quem se pode confiar, leal, honesto, lógico e extremamente perspicaz. Mas ele também obedece a regras mais do que os outros. Será que isto vai atrapalhar o seu amor?"

Há um novo casal. Não importa se o espectador não o reconhece (interpretado por Noel Clarke e Nazneen Contractor) - e que tem uma filha doente - nas primeiras cenas do filme. O casal é jovem, e é apresentado como um elemento fundamental do enredo em relação ao vilão. Mas a presença dos dois jovens permite também que o público se relacione com o mundo do futuro.

"A família em perigo transmite a ideia de que este é um filme feito de pessoas reais com problemas reais, mesmo que esteja ambientado num futuro distante centenas de anos", diz Abrams. "A problemática poderia ser a mesma nos dias de hoje."

Cumberbatch é uma figura realmente má. Embora o personagem de Cumberbatch ainda esteja envolto em questões, não há dúvida quanto à ameaça que ele representa.

"Benedict é fabuloso, ele contribui para elevar todos os momentos em que aparece", segundo Abrams. "Realmente produz uma mudança, e sua voz é impressionante."

O futuro da Terra está intacto. Poderia ser o ano de 2259, mas o mundo está muito tranquilo e certamente não é o lugar sombrio que muitos filmes futuristas apresentam. Não há zumbis, não há jogos da fome, não há lutadores de rua. Uma cena mostra até Londres com a catedral de São Paulo quase sufocada por modernos edifícios gigantescos.

"Incorporou definitivamente o otimismo do futuro de Roddenberry com a intensidade e a escuridão desse personagem que ameaça tudo isso", comenta Abrams.

Os caçadores tiveram permissão para entrar. James T. Kirk (Chris Pine) e o 'Magro' McCoy (Karl Urban) aparecem fugindo dos nativos de um planeta numa cena que lembra Os Caçadores da Arca Perdida, de 1981.

Abrams observa que em matéria de caçadores "é difícil fazer alguma coisa que não lembre o trabalho deles (Steven Spielberg e George Lucas). Eles já fizeram praticamente tudo isSo".

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