O 'Furacão' Barenboim

O maestro argentino-israelense Daniel Barenboim apresentou-se na segunda no Teatro Colón com a Missa de Réquiem de Giuseppe Verdi, a vigorosa obra litúrgica - composta por um ateu confesso - que o Vaticano nunca incluiu em ofícios religiosos. Foi a primeira vez que a orquestra e o coro do Scala de Milão se apresentaram em conjunto na principal casa de ópera da Argentina.

Ariel Palacios CORRESPONDENTE BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2010 | 00h00

O público, que aplaudiu Barenboim, também recebeu bem a soprano russa Marina Poplavskaya e o baixo coreano Kwangchul Youl, em sua estreia em Buenos Aires, cuja dramaticidade recordou o russo Fiódor Chaliapin, habitué do Colón nas primeiras décadas do século 20.

O ponto alto da noite foi o Dies irae, poema que relata o dia do juízo final, cuja letra expressa as angústias da Humanidade diante do fim dos tempos, além dos desejos de um perdão divino de difícil obtenção.

A crítica portenha foi generosa. O sóbrio La Nación afirmou que o maestro havia sido "um furacão de excelência". Para o Clarín foi "uma noite inesquecível".

Com a orquestra e coro do Scala, Barenboim - filho de imigrantes russos nascido em Buenos Aires, criado em Israel - também apresentou, na terça-feira, a ópera Aída, de Verdi.

As duas semanas do maestro na cidade foram intensas, já que exibiu o ciclo completo das sinfonias de Beethoven com a West-Eastern Divan, orquestra formada por judeus e palestinos. Ele também regeu obras de Pierre Boulez. Apesar da pouca popularidade desse compositor de música contemporânea, o teatro Gran Rex ficou lotado, surpreendendo o próprio Barenboim ficou surpreso com a recepção entusiasta com as obras de Boulez, pouco conhecido do grande público.

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